A sexta-feira em Brasília e nos estados ferveu com movimentações eleitorais e estratégias políticas mirando 2026. Em um cenário de incertezas econômicas globais, com a Guerra Irã impactando os preços dos combustíveis e a Petrobras (PETR4) no centro do debate, as articulações ganham contornos ainda mais estratégicos.

Rio de Janeiro: A Renúncia Estratégica de Castro

Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, comunicou a aliados que pretende renunciar ao cargo na próxima segunda-feira (23), um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode resultar em sua cassação. A informação é da Folha de S.Paulo.

A estratégia por trás da renúncia é complexa, mas a lógica é simples: Castro busca garantir a realização de uma eleição indireta para o mandato-tampão, que se estenderá até o final do ano. Em outras palavras, ele quer que a escolha do seu sucessor seja feita pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde tem maior influência, em vez de uma eleição direta com participação popular. Uma cassação pelo TSE poderia abrir caminho para um pleito direto, diminuindo o controle do governador sobre sua própria sucessão.

A renúncia também é uma tentativa de esvaziar o julgamento no TSE, que atualmente está em 2 a 0 pela cassação e inelegibilidade de Castro. Ao renunciar, ele espera alongar a discussão sobre a segunda punição, a inelegibilidade, para tentar viabilizar uma futura candidatura ao Senado.

O Que Acontece Agora?

Se a renúncia de Castro se confirmar, o cargo de governador será ocupado interinamente pelo vice-governador. A Alerj deverá então convocar uma eleição indireta para escolher o novo governador, que completará o mandato até o final de 2026. A decisão final sobre a elegibilidade de Castro, no entanto, ainda pode ser tomada pelo TSE.

Minas Gerais: Zema na Chapa de Flávio Bolsonaro?

Em Minas Gerais, o cenário político também está agitado. O vice-governador Mateus Simões (PSD), que assumirá o governo do estado no domingo (22) devido a uma viagem de Romeu Zema (Novo), declarou que a eventual candidatura de Zema como vice de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência poderia unificar a direita no estado e facilitar sua própria campanha à reeleição. A informação também é da Folha de S.Paulo.

Simões reconhece que a articulação transcende as fronteiras estaduais. A proximidade entre Zema e o bolsonarismo é um fator que pode influenciar as eleições em Minas, um estado chave para a disputa presidencial. No entanto, a aliança enfrenta resistências internas e ainda não há uma definição sobre a chapa.

PT Prioriza Congresso e Estados Ficam Para Depois

O PT, por sua vez, está definindo suas prioridades para a distribuição do fundo eleitoral. A legenda deve privilegiar as eleições para o Senado e a Câmara dos Deputados, deixando as campanhas para governos estaduais em segundo plano. Essa estratégia, segundo analistas, visa fortalecer a base do partido no Congresso e garantir maior governabilidade em um eventual novo mandato de Lula.

A decisão do PT de priorizar o Congresso tem implicações diretas para as eleições estaduais. Candidatos a governador que contavam com um aporte maior de recursos do partido podem ter que buscar alternativas para financiar suas campanhas. Isso pode acirrar a disputa nos estados e exigir maior capacidade de articulação dos candidatos.

Haddad Reforça Nome em SP

Enquanto isso, Fernando Haddad (PT), recém-saído do Ministério da Fazenda, já se movimenta como pré-candidato ao governo de São Paulo. Haddad defendeu a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) como vice de Lula nas eleições presidenciais e aproveitou para alfinetar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmando que ele ainda não tem familiaridade com o estado. A informação é da Folha de S.Paulo.

Haddad busca reeditar a aliança que o levou ao segundo turno nas eleições presidenciais de 2018 e se apresenta como uma alternativa ao governo Tarcísio em São Paulo. A disputa no estado promete ser acirrada, com diversos candidatos de diferentes espectros políticos buscando o Palácio dos Bandeirantes.

Guerra no Irã e Impacto nos Combustíveis

Em meio a esse cenário político movimentado, a crise no Oriente Médio, com a intensificação da Guerra Irã, traz preocupações sobre o aumento dos preços dos combustíveis. A Petrobras, historicamente sensível a pressões políticas, volta ao centro do debate. Qualquer aumento significativo nos preços pode impactar diretamente o bolso do consumidor brasileiro e gerar instabilidade econômica, afetando a popularidade do governo.

Essa instabilidade internacional pode ser uma variável importante nas eleições de 2026. O governo precisará mostrar capacidade de lidar com os desafios econômicos e garantir o abastecimento de combustíveis a preços acessíveis para evitar um desgaste político. A nomeação de Dario Durigan para o Ministério da Fazenda, após a saída de Haddad, é vista como uma tentativa de acalmar os mercados e sinalizar continuidade na política econômica, mas o cenário global impõe desafios complexos.

Em resumo, o tabuleiro político está sendo movimentado com renúncias estratégicas, articulações de alianças e decisões sobre a distribuição de recursos eleitorais. As eleições de 2026 prometem ser disputadas e influenciadas tanto por fatores internos quanto por acontecimentos no cenário internacional. O cidadão brasileiro, no final das contas, será o principal impactado pelas decisões tomadas nos próximos meses. Resta acompanhar de perto os próximos capítulos dessa novela política.