Sabe aquele parque que você adora frequentar nos fins de semana? Em São Paulo, alguns deles podem passar a ter uma cara nova em breve. O governo estadual publicou nesta quinta-feira (2) o edital para concessão de seis parques urbanos. A ideia é que a iniciativa privada assuma a gestão desses espaços, injetando dinheiro para melhorias e manutenção.
A lista dos parques que serão concedidos inclui o Parque da Juventude Dom Paulo Evaristo Arns, o Parque Estadual do Belém Manoel Pitta, o Parque Ecológico do Tietê, o Parque Vila Jacuí, o Parque Maria Cristina Hellmeister de Abreu e o Parque Itaim Biacica. Juntos, esses espaços receberam cerca de 7 milhões de visitantes em 2025, segundo dados do governo.
Por que o governo quer conceder os parques?
A justificativa do governo é que a concessão atrai investimentos que o estado não conseguiria fazer sozinho. A promessa é de modernização das instalações, melhoria na segurança e criação de novas atrações. O leilão para escolher as empresas que vão administrar os parques está marcado para o dia 7 de julho, na B3, a bolsa de valores de São Paulo.
Essa iniciativa faz parte de um programa maior do governo estadual, o Programa de Parcerias em Investimentos, que busca atrair a iniciativa privada para projetos de infraestrutura e serviços públicos. Em outras palavras, o governo aposta que a gestão privada pode ser mais eficiente e trazer mais recursos para áreas como lazer, cultura e meio ambiente.
O que muda para o cidadão?
A grande questão é: como essa mudança vai afetar a vida de quem usa os parques? A resposta não é simples. Por um lado, a expectativa é de que os parques fiquem mais bonitos, seguros e com mais opções de lazer. Imagine trilhas bem cuidadas, equipamentos esportivos modernos e eventos culturais frequentes. É o cenário ideal que o governo vende.
Por outro lado, a concessão pode trazer custos. A empresa que assumir a gestão dos parques precisa ter lucro, e isso pode significar a cobrança de ingressos ou de taxas para algumas atividades. Um piquenique no parque, que antes era gratuito, pode passar a ter um custo. É preciso ficar de olho para que o acesso aos parques não se torne restrito a quem pode pagar.
Acesso x Investimento
É um equilíbrio delicado. O governo precisa garantir que a população continue tendo acesso aos parques, mesmo com a gestão privada. Uma das formas de fazer isso é exigir que a empresa mantenha uma parcela das atividades gratuitas e que ofereça descontos para estudantes, idosos e pessoas de baixa renda.
A concessão de parques não é novidade no Brasil. Em outras cidades, como no Rio de Janeiro, a iniciativa privada já administra alguns dos principais parques urbanos. A experiência mostra que, quando bem planejada e fiscalizada, a concessão pode trazer benefícios para a população. Mas é preciso ter cuidado para não transformar espaços públicos em áreas exclusivas para quem tem dinheiro.
De olho no contrato
O contrato de concessão é a peça-chave para garantir que os interesses da população sejam protegidos. É nesse documento que estarão definidas as obrigações da empresa, os investimentos que ela terá que fazer, as tarifas que poderá cobrar e as metas de qualidade que deverá cumprir.
É importante que a sociedade civil acompanhe de perto esse processo, participando de audiências públicas e cobrando transparência do governo e da empresa. Afinal, os parques são espaços de lazer, cultura e contato com a natureza que pertencem a todos. E é fundamental que continuem assim, mesmo com a gestão privada.
O governo de São Paulo aposta que a concessão dos parques será um bom negócio para todos. Resta saber se a promessa de modernização e eficiência se traduzirá em benefícios concretos para a população, sem comprometer o acesso e a qualidade desses espaços públicos.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.