Uma notícia boa e uma nem tanto para começar a sexta-feira. O Brasil registrou um superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro. Em bom português, isso significa que o governo arrecadou mais do que gastou no mês passado, sem contar os juros da dívida. O número, divulgado pelo Banco Central, é tradicionalmente alto no início do ano, impulsionado pela concentração de arrecadação federal.
Mas nem tudo são flores. As empresas estatais federais apresentaram um déficit de R$ 3,3 bilhões no mesmo período. Para efeito de comparação, é o maior rombo para janeiro desde o início da série histórica, em 2002, segundo o Poder360. Em relação a janeiro de 2025, o déficit aumentou nada menos que 560%. E esse resultado negativo das estatais puxou para baixo o desempenho geral, que seria ainda melhor sem ele.
O que significa tudo isso?
Vamos por partes. O superávit primário é um indicador importante da saúde fiscal do país. Imagine que o governo está tocando as contas da casa. Se ele gasta menos do que ganha, sobra dinheiro para pagar as dívidas e investir em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
No entanto, quando as estatais dão prejuízo, em vez de gerar receita, elas consomem dinheiro dos cofres públicos. E quem paga a conta, no fim das contas, é o cidadão, seja por meio de impostos, seja pela redução de investimentos em serviços públicos.
É importante notar que esse cálculo não inclui o pagamento dos juros da dívida pública. Quando se considera esses juros, o resultado é um déficit nominal, que, segundo o Banco Central, chegou a R$ 1,086 trilhão no acumulado de 12 meses até janeiro. Ou seja, a dívida do país continua alta e consumindo boa parte do orçamento.
Por que as estatais estão no vermelho?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Há diversos fatores que podem explicar o desempenho negativo das estatais. Má gestão, corrupção, investimentos mal planejados e até mesmo políticas de preços defasadas podem contribuir para o problema.
Um caso que tem chamado a atenção é o dos Correios, que enfrentam uma crise contábil. A empresa, que já foi sinônimo de eficiência e lucratividade, hoje luta para se manter competitiva em um mercado cada vez mais dominado por empresas privadas de logística.
O caso BRB e Banco Master
E por falar em estatais, vale lembrar que o Banco de Brasília (BRB) tem sido alvo de investigações nos últimos meses. Operações da Polícia Federal apuram supostas irregularidades em contratos e operações financeiras da instituição. Há inclusive bloqueio de ativos determinado pela Justiça.
O BRB, assim como outras instituições financeiras controladas pelo governo, desempenha um papel importante no desenvolvimento econômico do Distrito Federal e da região Centro-Oeste. Mas, como qualquer empresa pública, precisa ser gerido com responsabilidade e transparência para evitar prejuízos aos cofres públicos e aos cidadãos.
O que esperar daqui para frente?
O governo tem anunciado uma série de medidas para tentar reequilibrar as contas públicas e melhorar a gestão das estatais. A expectativa é que a aprovação da reforma tributária, que está em discussão no Congresso, possa simplificar o sistema de impostos e aumentar a arrecadação.
A reforma tributária é um processo complexo: enquanto não é finalizada, pode gerar instabilidade, e seu resultado final é incerto.
Além disso, o governo tem se mostrado mais rigoroso na cobrança de impostos e na fiscalização das empresas. O objetivo é combater a sonegação e a corrupção, que drenam recursos importantes do país. Mas, como sempre, o diabo está nos detalhes. É preciso garantir que as medidas não prejudiquem o setor produtivo e não criem mais burocracia para as empresas.
A situação fiscal e econômica do Brasil é complexa e desafiadora. O superávit primário é um sinal positivo, mas o déficit das estatais e o alto endividamento público exigem atenção e medidas urgentes. No fim das contas, o que está em jogo é a qualidade dos serviços públicos, a capacidade de investimento do país e o bem-estar da população.
E para quem se pergunta como isso afeta o seu bolso, a resposta é simples: se o governo gasta mais do que arrecada, a tendência é que os impostos aumentem ou que os serviços públicos piorem. Por isso, é importante acompanhar de perto as decisões políticas e econômicas do país e cobrar responsabilidade dos nossos representantes.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.