O Rio de Janeiro pode ter um ano eleitoral atípico em 2026. Além das eleições gerais de outubro, os cariocas podem ser chamados às urnas para escolher um governador “tampão”, que governará o estado até o fim do ano. O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta quarta-feira (8) qual será o rito dessa eleição.

Por que o Rio precisa de um novo governador?

A crise política no Rio se intensificou com a renúncia de Cláudio Castro (PL) em março. Castro tomou a decisão para tentar evitar a cassação do seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o investigava por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Com a saída de Castro, o estado ficou sem um vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha (União) assumiu uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Normalmente, o vice assume automaticamente em caso de vacância do cargo.

A linha sucessória continuaria com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Mas, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que ocupava o cargo, também enfrentou problemas. Ele foi preso e teve o mandato cassado pelo TSE, o que o impediu de assumir o governo interinamente.

Diante desse cenário, quem está à frente do governo do Rio, de forma interina, é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto.

Eleição direta ou indireta: o que está em jogo no STF?

O STF agora precisa decidir como será a escolha do novo governador. Existem duas possibilidades:

  • Eleição direta: A população vai às urnas para escolher o novo governador.
  • Eleição indireta: Os deputados estaduais da Alerj elegem o governador.

A decisão do STF é crucial, pois define quem terá o poder de escolher o próximo líder do estado. Se for eleição direta, o eleitor carioca terá a chance de influenciar diretamente o futuro do Rio. Se for indireta, a escolha ficará nas mãos dos políticos da Alerj.

O que diz a lei?

A Constituição Federal prevê que, se a vacância do cargo de governador ocorrer nos dois últimos anos do mandato (como é o caso do Rio), a eleição para escolher o substituto deve ser feita pela Assembleia Legislativa. No entanto, há interpretações divergentes sobre essa regra, e o STF precisa dar a palavra final.

Qual o impacto dessa decisão para o cidadão?

A instabilidade política no Rio de Janeiro tem reflexos diretos na vida do cidadão. A indefinição sobre quem estará à frente do governo dificulta a implementação de políticas públicas, o planejamento de investimentos e a solução de problemas urgentes como a segurança pública, a saúde e a educação.

Imagine a seguinte situação: você precisa usar um serviço público, mas não sabe se ele vai continuar funcionando normalmente, se o orçamento será mantido ou se haverá mudanças na equipe. Essa incerteza afeta diretamente a qualidade de vida da população.

Além disso, a eleição para governador, seja direta ou indireta, terá um custo para os cofres públicos. Em um momento de crise econômica, é importante que esse dinheiro seja usado de forma eficiente e transparente, priorizando as necessidades da população.

Próximos passos

Após a decisão do STF, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) terá a responsabilidade de organizar a eleição, caso seja determinada a votação direta. Será preciso definir o calendário eleitoral, registrar os candidatos e garantir a segurança do processo.

O cenário aponta para uma disputa acirrada, com diversos candidatos de diferentes partidos interessados em assumir o governo do estado. A eleição para governador no Rio de Janeiro promete ser um dos momentos mais importantes da política brasileira em 2026.