Brasília está em polvorosa com a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. O governo Lula vê a medida como uma armadilha, arquitetada por aliados de Jair Bolsonaro dentro da gestão de Donald Trump, para desestabilizar o país em ano eleitoral. Mas qual o risco real disso para o cidadão brasileiro?

Por que os EUA querem classificar facções como terroristas?

A alegação principal é a suposta ligação entre o PCC e o Hezbollah, grupo extremista do Oriente Médio. Essa conexão, somada à atuação internacional das facções no tráfico de drogas, seria a justificativa para enquadrá-las como ameaças terroristas. O Departamento de Estado americano já considera o PCC e o CV como "ameaças", mas a designação de terrorista é um passo adiante, com consequências bem mais graves.

O que diz Tarcísio de Freitas

Enquanto o governo federal demonstra preocupação, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enxerga a medida como uma “oportunidade”. Segundo ele, a designação facilitaria a cooperação internacional no combate ao crime organizado, com troca de inteligência e recursos financeiros. “Eu enxergo isso como uma oportunidade, porque, a partir do momento em que um governo como os Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista –e é, de fato, o que eles são–, fica mais fácil, fica aberto o caminho da cooperação para que a gente possa integrar inteligência, trazer recursos financeiros e fazer um combate ainda mais efetivo”, afirmou Tarcísio de Freitas, segundo o Poder360.

O que está em jogo para o Brasil?

Para o governo brasileiro, a classificação abriria brecha para intervenções militares americanas em território nacional, ferindo a soberania do país. Além disso, poderia levar a sanções econômicas contra instituições financeiras brasileiras, dificultando o acesso a crédito e investimentos estrangeiros.

Um banco brasileiro, mesmo sem saber, pode fazer uma transação com uma empresa que tem alguma ligação com o PCC. Se os EUA classificarem o PCC como terrorista, esse banco pode ser punido com multas pesadas e até mesmo impedido de operar no mercado americano. Isso, claro, teria um impacto enorme na economia brasileira.

Intervenção Militar?

Nos últimos meses, os EUA já realizaram ações militares contra grupos considerados narcotraficantes em outros países da América Latina. No fim de 2025, bombardearam embarcações no Caribe, matando dezenas de pessoas, entre venezuelanos e colombianos. No México, o serviço de inteligência americano colaborou para matar o líder do maior cartel de drogas do país.

Essa escalada preocupa o governo Lula, que teme que o Brasil possa ser o próximo alvo. A diplomacia brasileira está trabalhando para frear a decisão americana, alertando para os riscos que a medida pode trazer para a estabilidade da região.

Disputa nos bastidores

A leitura do Palácio do Planalto é que a pressão para classificar as facções como terroristas é resultado de uma articulação entre aliados de Bolsonaro e figuras da extrema-direita trumpista. Esses grupos teriam perdido força após o fracasso de medidas protecionistas e sanções contra autoridades brasileiras, mas voltaram a ganhar espaço no entorno de Trump, especialmente no Departamento de Estado.

É uma disputa de poder: cada lado tenta influenciar as decisões do governo americano para defender seus interesses. E, nessa disputa, o Brasil pode ser o grande prejudicado.

Impacto na vida do cidadão

Se a classificação de terrorista realmente acontecer, as consequências podem ser sentidas no bolso e na segurança do brasileiro. A instabilidade econômica causada pelas sanções poderia levar ao aumento da inflação e do desemprego. Além disso, a presença militar estrangeira no país poderia gerar conflitos e violência.

É importante lembrar que o combate ao crime organizado é fundamental, mas precisa ser feito com inteligência e respeito à soberania nacional. Transformar o Brasil em palco de uma guerra contra o terrorismo não é a solução.