A avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou uma leve, mas significativa, melhora nos últimos meses. Uma nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), aponta que 48% dos brasileiros aprovam a gestão petista, enquanto 47% desaprovam. Essa inversão, com a aprovação ultrapassando a desaprovação, é a primeira vez que ocorre desde dezembro de 2024, sinalizando um momento de maior fôlego para o Planalto, embora o cenário ainda seja de empate técnico.

O que parece impulsionar essa virada na percepção pública é a economia. A pesquisa indica que o principal fator por trás da queda na rejeição ao presidente e da melhora na avaliação geral do governo é o aumento do número de brasileiros que consideram que a situação econômica do país parou de piorar. Essa mudança de sentimento tem um impacto direto na vida das pessoas, mesmo que a melhora ainda não seja sentida uniformemente por todos. A sensação de que o pior já passou, ou de que há um caminho para a recuperação, tende a ser um fator decisivo na aprovação de um governo.

O impacto da economia na aprovação

Os dados da pesquisa são claros: a percepção de que a economia deixou de piorar é o grande motor da recuperação da popularidade do governo Lula. Em um país onde a situação econômica do cidadão é um fator político crucial, qualquer melhora, ou mesmo a ausência de piora, tende a impactar positivamente a avaliação da gestão. Em tempos de inflação persistente e dificuldades no acesso ao crédito, a estabilização desses fatores já pode ser vista como um avanço.

Para quem acompanha Brasília, esse padrão não é novidade. Em momentos de aperto econômico, a cobrança sobre o presidente é máxima. Quando há uma perspectiva, mesmo que tímida, de melhora, a gratidão ou a esperança tendem a se refletir nas pesquisas de opinião. O cenário atual, com 48% de aprovação contra 47% de desaprovação, demonstra um equilíbrio delicado, onde qualquer deslize econômico pode rapidamente reverter essa tendência.

Programas sociais e o alívio financeiro

A pesquisa Quaest também trouxe luz sobre o impacto de programas específicos voltados para o alívio financeiro das famílias. Entre as medidas avaliadas, o Desenrola 2.0 se destacou como um programa com maior potencial para reduzir a desaprovação ao governo. Um indicador preocupante que as pesquisas costumam pintar é como as famílias sentem o bolso no dia a dia. Se programas como o Desenrola conseguem, de fato, fazer a renda familiar aumentar ou permitir que dívidas sejam quitadas, isso se traduz diretamente em votos ou, no mínimo, em uma avaliação mais positiva do governo.

Cerca de 35% dos entrevistados que aderiram ao Desenrola 2.0 relatam um aumento significativo na renda após o lançamento do programa. O conhecimento sobre a iniciativa também é expressivo, atingindo 66% dos consultados. Essa comunicação direta com o eleitor, mostrando resultados tangíveis, é uma ferramenta poderosa para o governo, especialmente em um ano eleitoral, como é o de 2026. Não é a primeira vez que programas sociais bem executados se tornam facilitadores da aprovação de um governo, mostrando que ações concretas no cotidiano do cidadão frequentemente superam o discurso político mais elaborado.

O cenário político e a eleição de 2026

Com a aprovação em alta e a percepção de melhora na economia, o governo Lula (PT) parece ganhar algum fôlego para o cenário eleitoral de 2026. A queda na rejeição presidencial e a melhora na avaliação geral da gestão, segundo a pesquisa Quaest, indicam que a estratégia de focar na recuperação econômica e em programas de alívio financeiro pode estar surtindo efeito. A gestão petista tem ampliado seus gastos neste ano, o que, em tese, visa impulsionar a economia e, consequentemente, a aprovação.

Na minha leitura, o Planalto entende que consolidar essa percepção positiva da economia é crucial. O desafio agora é manter essa trajetória e garantir que os efeitos da recuperação sejam sentidos de forma mais ampla e duradoura pela população. O equilíbrio entre os gastos públicos e a responsabilidade fiscal será um dos pontos de atenção, pois qualquer sinal de descontrole pode abalar a confiança conquistada. O jogo político é constante, e a forma como o governo conduzirá as próximas pautas econômicas, a relação com o Congresso e a comunicação com a sociedade determinarão se essa melhora na aprovação será sustentável.