A guerra no Oriente Médio, com o Irã no centro do conflito, está mexendo com a economia mundial, e o Brasil não passa incólume. A notícia não é boa para o bolso do consumidor, que deve sentir o peso da inflação. Mas, paradoxalmente, o governo pode ter um respiro nas contas públicas, turbinado pela alta do petróleo. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, divulgou um relatório nesta quinta-feira (16) detalhando esse cenário.

Inflação na bomba e no supermercado

O impacto mais imediato para o cidadão será no custo de vida. A IFI estima que a inflação pode subir de 0,7 a 1,0 ponto percentual em 2026, e de 0,2 a 0,5 ponto percentual em 2027. Parece pouco, mas no dia a dia faz diferença. A gasolina mais cara, por exemplo, impacta não só quem tem carro, mas também o preço dos alimentos, já que o transporte rodoviário é predominante no país. Além disso, produtos importados também podem ficar mais caros, pressionando ainda mais o orçamento familiar.

É como se a gente estivesse sentindo o efeito de um dominó. A guerra lá longe aumenta o preço do petróleo, que encarece a gasolina, que por sua vez eleva o custo do transporte e, no fim das contas, chega na prateleira do supermercado. E quem paga a conta é o consumidor.

Petróleo nas alturas, alívio no caixa do governo

Por outro lado, o conflito no Oriente Médio pode trazer boas notícias para as contas do governo. Com o preço do barril de petróleo tipo Brent nas alturas, a arrecadação com royalties e impostos sobre exportação de commodities tende a aumentar significativamente. A IFI estima um ganho extra que pode variar de R$ 25,9 bilhões a R$ 56,9 bilhões em 2026, e de R$ 42,0 bilhões a R$ 82,2 bilhões em 2027. Segundo o Poder360, esse aumento na arrecadação pode fazer com que o deficit primário caia de -0,7% do PIB para até -0,1% em 2026.

Em termos práticos, é como se o governo encontrasse dinheiro no bolso da calça. Esse dinheiro extra pode ser usado para investir em áreas prioritárias, como saúde e educação, ou para reduzir a dívida pública. Mas é preciso ter cautela: parte desse dinheiro pode ser usado para tentar conter os preços dos combustíveis, limitando o ganho fiscal real.

E a anistia dos bolsonaristas?

Enquanto a guerra impacta a economia, Brasília ferve com discussões sobre a possível anistia aos bolsonaristas envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A articulação no Congresso, em especial na Câmara dos Deputados, ganha força, mas enfrenta forte resistência de setores da sociedade e do governo. A discussão é complexa e envolve diferentes interpretações jurídicas e políticas.

Para alguns, a anistia seria uma forma de pacificar o país e superar as polarizações. Para outros, seria um incentivo à impunidade e um desrespeito ao Estado Democrático de Direito. O debate promete ser acalorado e deve se estender pelas próximas semanas, com impacto direto na agenda do Congresso e na relação entre os poderes.

É como se o Brasil estivesse tentando equilibrar dois pratos ao mesmo tempo: lidar com as consequências de uma guerra lá fora e com as tensões políticas internas. O desafio é grande e exige muita habilidade e responsabilidade de todos os atores envolvidos.