A guerra no Oriente Médio já está pesando no bolso do brasileiro, e a culpa é do petróleo. O bloqueio do Estreito de Ormuz, um gargalo por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo, fez os preços dispararem. Para tentar frear essa escalada, a Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne os países mais industrializados, anunciou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais. É como se os países ricos abrissem seus cofres para inundar o mercado e tentar baixar os preços.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?

Imagine um funil. O Estreito de Ormuz é esse funil para o petróleo do Oriente Médio. Ele liga os produtores do Golfo Pérsico aos grandes consumidores na Ásia, Europa e América do Norte. Se o funil entope, o fluxo diminui e o preço sobe. A AIE estima que, em 2025, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto e derivados passavam por ali diariamente. Para se ter uma ideia, a produção global de petróleo é de aproximadamente 100 milhões de barris por dia. Ou seja, o estreito é vital.

O que a AIE está fazendo?

A liberação de 400 milhões de barris é a maior da história da AIE, superando até mesmo a resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A ideia é injetar mais petróleo no mercado para compensar a falta causada pelo bloqueio. Os Estados Unidos e o Japão, grandes consumidores de energia, devem ser os principais responsáveis por essa injeção.

E no Brasil, o que acontece?

O Brasil não depende tanto do petróleo do Oriente Médio como alguns países da Europa, mas o preço global do petróleo afeta diretamente o valor da gasolina, do diesel e do gás de cozinha por aqui. A Petrobras (PETR4), mesmo produzindo boa parte do petróleo que o país consome, acompanha as cotações internacionais. É como se o preço do boi gordo no Brasil fosse influenciado pelo preço da carne na Argentina: mesmo que tenhamos muitos bois por aqui, o mercado global dita as regras.

Essa alta nos combustíveis, por sua vez, tem um efeito cascata na economia. O frete fica mais caro, o que encarece os produtos nos supermercados. A inflação, que já vinha dando sinais de arrefecimento, pode voltar a assustar. Ou seja, um conflito do outro lado do mundo pode impactar o seu orçamento diário.

O que esperar do futuro?

É difícil prever o que vai acontecer. Se o bloqueio do Estreito de Ormuz persistir, a tendência é que os preços do petróleo continuem altos, mesmo com a liberação das reservas da AIE. A situação é instável e depende de negociações diplomáticas e da evolução do conflito no Oriente Médio.

Para o consumidor brasileiro, a dica é pesquisar preços e, se possível, economizar combustível. No longo prazo, a busca por fontes alternativas de energia, como a solar e a eólica, se torna ainda mais urgente. Afinal, quanto menos dependermos do petróleo, menos vulneráveis ficaremos a crises como essa.