A inteligência artificial (IA) deixou de ser ficção científica e se tornou peça central nos jogos de poder da política e da economia. De olho nesse cenário, a FGV Direito Rio lança no dia 28 de abril um núcleo de IA, o AI Hub, para realizar pesquisas e estudos sobre o impacto da tecnologia na sociedade, no mercado e no setor público. A ideia é contribuir para o desenvolvimento sustentável e ético da IA no Brasil, com foco na redução das desigualdades sociais e no incentivo à inovação.
IA: da geopolítica ao seu bolso
A utilidade da IA se estende desde a análise de cenários geopolíticos complexos até o impacto direto no bolso do cidadão. Imagine, por exemplo, o uso de algoritmos para prever o impacto de uma possível escalada do conflito entre Irã e Israel no mercado de petróleo. Com a instabilidade no Oriente Médio, o preço do barril tende a subir, impactando diretamente o custo da gasolina e, consequentemente, a inflação. Uma análise preditiva baseada em IA pode ajudar o governo e as empresas a se prepararem para esses cenários, minimizando os efeitos negativos para o consumidor.
Petróleo, Irã e o impacto fiscal
A questão do petróleo, inclusive, é um exemplo de como a IA pode ser usada para otimizar a gestão de recursos públicos. Com a volatilidade do mercado, a arrecadação de royalties e impostos sobre a exploração de petróleo pode sofrer grandes variações. Modelos de IA podem ajudar a prever essas flutuações, permitindo um planejamento fiscal mais eficiente e evitando surpresas desagradáveis para o governo e, claro, para o contribuinte.
Apostas online e a pressão sobre a Apple
Outro front em que a IA está presente é o mercado de apostas online. A Câmara dos Deputados, por meio de uma comissão externa, está pressionando a Apple para que a empresa disponibilize aplicativos de bets regularizadas em sua loja virtual. Segundo os deputados, a medida pode ajudar a combater o mercado ilegal e diminuir o número de fraudes, já que os apostadores costumam preferir os aplicativos aos sites.
A pressão ocorre quase um ano depois de o Google liberar os aplicativos de apostas no sistema Android. Essa diferença de postura entre as duas gigantes da tecnologia acende um debate importante sobre a regulação do setor e o papel das empresas na fiscalização das apostas online.
Eleições 2026 e o fantasma da desinformação
Mas nem tudo são flores no mundo da IA. Com a proximidade das eleições de 2026, a ameaça da desinformação volta a ganhar força no debate político. O uso de deepfakes, vídeos e áudios manipulados com o auxílio da IA, pode ser uma arma poderosa para disseminar notícias falsas e influenciar o eleitorado. O desafio é encontrar um equilíbrio entre a liberdade de expressão e a necessidade de combater a desinformação, garantindo a integridade do processo eleitoral.
A IA, nesse contexto, pode ser tanto o problema quanto a solução. Se, por um lado, ela facilita a criação de conteúdo falso, por outro, também pode ser usada para identificar e combater a desinformação, por meio de algoritmos que detectam padrões suspeitos e verificam a autenticidade das informações. É uma corrida contra o tempo para desenvolver ferramentas eficazes de combate à desinformação antes que ela cause estragos irreparáveis no processo eleitoral.
A inteligência artificial tem um potencial enorme: pode ser usada para construir ou para destruir. O desafio é garantir que ela seja utilizada para o bem, impulsionando o desenvolvimento econômico e social, sem comprometer a democracia e os direitos dos cidadãos. O debate está apenas começando.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.