Ainda estamos a pouco mais de um ano e meio das eleições de 2026, mas o tabuleiro político já está sendo montado, e o Judiciário se consolidou nesta semana como um dos principais pontos de atrito. Ações de partidos e pré-candidatos de diferentes espectros apontam para um tema central nas campanhas futuras: a reforma e as críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o cidadão, a consequência direta desse embate é uma possível instabilidade jurídica, que afeta desde a confiança nas instituições até a segurança para investir ou empreender no país.

A direita mira, o STF se divide

As críticas à atuação do STF não são novidade, mas ganharam um novo fôlego e contornos eleitorais claros. Pré-candidatos de direita veem no tema uma oportunidade de engajar suas bases e demarcar território. A semana trouxe episódios que ilustram bem esse movimento. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que busca a reeleição, propôs o indiciamento de magistrados pela CPI do Crime Organizado, um movimento que eleva a temperatura do debate entre os poderes. Soma-se a isso uma série de vídeos de um ex-governador de Minas Gerais, também com forte teor crítico ao Supremo, que amplifica a narrativa anti-corte nas redes.

Dentro do próprio STF, a leitura é unânime: as críticas entraram de vez na pauta eleitoral. O que divide os ministros, segundo apuração da Folha de S.Paulo, é como reagir. Cerca de metade defende um enfrentamento mais incisivo, com posicionamentos públicos que deixem claras as consequências de eventuais ataques. A outra metade, por sua vez, prefere a discrição, fugir dos holofotes e agir com cautela. Essa divisão interna reflete a complexidade do momento, onde cada passo pode ser interpretado como um gesto político e ter repercussões nas eleições que se aproximam. É como um time de futebol dividido entre atacar com tudo para mostrar força ou se fechar na defesa para evitar levar um gol antes do apito final.

O PT calibra o discurso por reformas

Do outro lado do espectro político, o Partido dos Trabalhadores (PT) também colocou a reforma das instituições, incluindo o Judiciário, em seu manifesto para as eleições de 2026. O 8º Congresso do PT, realizado nesta sexta-feira (24), foi o palco para o presidente Lula (PT) defender que 'instituições precisam de reformas', desde a ONU até as internas do Brasil, pedindo propostas factíveis ao seu partido. No entanto, a forma como essa crítica é articulada pelo PT mostra um cuidado especial, típico de quem está no governo e busca a reeleição.

O manifesto inicial do PT, que seria discutido no encontro, trazia uma menção mais contundente a uma suposta 'promiscuidade entre juízes e empresários'. Contudo, a versão final, de acordo com o G1, tende a suavizar o tom, falando em 'mecanismos de autocorreção' para o Judiciário, visando à democratização e ao fortalecimento do Estado de Direito. Essa mudança não é por acaso. É uma manobra política para evitar temas excessivamente polêmicos que possam aumentar o desgaste da imagem do presidente Lula, cuja popularidade tem sido um ponto de atenção para a campanha de 2026. É como um maestro ajustando o volume de uma orquestra: ele quer que a mensagem seja ouvida, mas sem assustar a plateia, especialmente quando a reeleição está em jogo.

O documento petista vai além, prevendo também reformas que o partido considera 'decisivas, sem as quais o projeto democrático-popular permanecerá bloqueado'. Entre as citadas, estão as reformas política e eleitoral, e a tributária. Para o cidadão, propostas como a reforma tributária, que promete corrigir distorções nos impostos, ou a reforma política, que busca democratizar o poder, podem significar melhorias diretas no custo de vida ou na qualidade dos serviços públicos, mas dependem do sucesso dessa articulação no Congresso.

O que esperar da próxima semana e além

O sábado e o domingo, tradicionalmente mais calmos na política de Brasília, são momentos de reflexão sobre a semana que passou e de projeção para a que virá. O embate sobre o Judiciário, que antes ficava mais restrito aos círculos jurídicos e acadêmicos, agora se populariza e se torna parte da disputa eleitoral.

A forma como o STF, o PT e a direita conduzirão essa discussão terá impacto direto na estabilidade política do país e, por extensão, na vida de cada brasileiro. A polarização em torno de temas institucionais pode fragilizar as bases da nossa democracia, dificultar o diálogo e a construção de consensos necessários para o avanço de pautas importantes, como as próprias reformas que o PT propõe. Quando as instituições são constantemente questionadas em um ambiente eleitoral, a confiança da população na capacidade do Estado de garantir direitos e promover justiça pode ser erodida, gerando um ambiente de incerteza que ninguém deseja.

A próxima semana promete seguir com as articulações partidárias e os posicionamentos sobre o tema. Observar como o STF lidará com a pressão externa e a divisão interna será crucial, assim como a capacidade do PT de equilibrar a necessidade de reformas com a estratégia eleitoral de Lula. O cenário eleitoral de 2026 já tem seu primeiro grande tema: a bússola institucional brasileira, e para onde ela aponta, é incerto.