O governo Lula parece estar jogando em duas frentes quando o assunto é a indústria de defesa. De um lado, o presidente discursa em fóruns internacionais criticando o excessivo investimento global em armamentos, defendendo que esses recursos sejam redirecionados para áreas como combate à fome e mudanças climáticas. De outro, o governo lança mão de iniciativas para turbinar as exportações de equipamentos militares brasileiros. A pergunta que fica é: como conciliar essa aparente contradição?

Um catálogo para o mundo

Na segunda-feira (23), o governo federal lançou um catálogo inédito da Base Industrial de Defesa (BID), reunindo informações sobre 154 empresas e 364 produtos. O objetivo? Ampliar a presença das empresas brasileiras no mercado internacional. A ideia é facilitar o contato entre fabricantes nacionais e investidores, delegações estrangeiras e compradores do setor.

O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, defendeu a iniciativa, argumentando que "desenvolver a indústria de defesa é promover a soberania". Segundo ele, o Brasil precisa ter autonomia para manter sua estrutura de defesa, livre de influências externas.

E os resultados já começam a aparecer. O setor de defesa brasileiro tem registrado recordes sucessivos nas exportações nos últimos anos. Em 2025, as vendas externas atingiram a marca de R$3,4 bilhões, com o Brasil fornecendo equipamentos militares para cerca de 140 países.

Embraer decola na Finlândia

Para completar a semana, a Embraer (EMBR3) anunciou um acordo com a companhia aérea finlandesa Finnair para a venda de até 46 jatos E195-E2. O contrato inclui 18 pedidos firmes, 16 opções de compra e 12 direitos de aquisição. As entregas estão previstas para começar no segundo semestre de 2027.

A venda representa um respiro importante para a Embraer, que busca diversificar seus negócios e fortalecer sua posição no mercado internacional. A aeronave E195-E2, segundo a empresa, é mais eficiente no consumo de combustível e gera menos ruído, o que contribui para a estratégia da Finnair de reduzir suas emissões.

Guerra e paz: uma questão de interpretação?

A estratégia do governo Lula pode ser vista como uma tentativa de equilibrar o discurso pacifista com a necessidade de fortalecer a economia e a indústria nacional. Afinal, a venda de equipamentos militares gera empregos, renda e impostos, além de impulsionar o desenvolvimento tecnológico do país.

É como o médico que, ao mesmo tempo, busca a cura e se prepara para lidar com as possíveis sequelas da doença. O governo prega a paz, mas se prepara para eventuais conflitos.

E o que isso significa para você?

Para o cidadão comum, o aquecimento da indústria de defesa pode ter diferentes impactos. Por um lado, pode significar mais investimentos em tecnologia e inovação, o que, em última análise, pode beneficiar outros setores da economia. Por outro, pode gerar questionamentos éticos sobre o papel do Brasil no mercado global de armas.

Além disso, é importante lembrar que os recursos investidos na indústria de defesa poderiam ser direcionados para outras áreas, como saúde, educação e infraestrutura. A escolha entre "armas ou manteiga" é um dilema clássico da política econômica, e cada governo precisa encontrar seu próprio equilíbrio.

De qualquer forma, uma coisa é certa: a indústria de defesa brasileira está em ascensão, e o governo Lula parece disposto a aproveitar ao máximo esse potencial. Resta saber se essa estratégia será bem-sucedida e se trará os benefícios esperados para o país.

A Enel e a Aneel em São Paulo estão no centro de uma novela. A empresa de energia está na mira do TCU, e o fantasma da caducidade (perda da concessão) assombra a companhia. Se a Enel perder a concessão, o governo terá que buscar outra empresa para assumir o serviço, o que pode gerar instabilidade e afetar a qualidade do fornecimento de energia para a população. Assim como na defesa, a energia é um setor estratégico que exige planejamento e investimentos contínuos.