O início de abril de 2026 traz um retrato agridoce para o Palácio do Planalto. Pesquisas Datafolha divulgadas neste fim de semana revelam que, apesar da estabilidade na avaliação negativa, o governo Lula ainda enfrenta resistência considerável da população, enquanto a disputa com a família Bolsonaro se acirra no cenário eleitoral.
A lupa nos números: o que diz o Datafolha
Os números são claros: 40% dos brasileiros avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, enquanto apenas 29% o consideram bom ou ótimo. Apesar de a avaliação negativa se manter estável em relação a março, a queda na avaliação positiva, de 32% para 29%, acende um sinal de alerta no governo. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Para além da avaliação do governo como um todo, o Datafolha também mediu a aprovação do trabalho de Lula na Presidência. A reprovação oscilou de 49% para 51%, enquanto a aprovação caiu de 47% para 45%. Uma inversão de tendência que, segundo analistas, pode indicar o fim do ciclo de notícias positivas que impulsionaram a popularidade do presidente no início do mandato.
O risco de repetir o cenário de 2018 preocupa o Planalto?
Se os números gerais já preocupam, o cenário eleitoral é ainda mais desafiador para Lula. Em um possível segundo turno contra Flávio Bolsonaro, a pesquisa Datafolha aponta para um empate técnico: 46% para o senador do PL contra 45% para o atual presidente. Em março, Lula aparecia com uma vantagem ligeiramente maior, de 46% contra 43%.
É importante lembrar que pesquisa não é previsão do futuro, mas um retrato do presente. E o retrato atual mostra que a eleição de 2026, ao menos por enquanto, deve reeditar a polarização de 2018, com o antipetismo como um motor importante do eleitorado.
O Planalto contra-ataca: a economia como trunfo
Diante desse cenário, a estratégia do governo Lula é apostar em medidas econômicas para tentar reverter a tendência. A equipe econômica aposta na retomada do crescimento, na geração de empregos e no controle da inflação para melhorar a percepção da população em relação ao governo. O ministro Paulo Pimenta, da Secom, tem reiterado que a comunicação do governo vai focar em mostrar os resultados positivos das ações do governo na vida das pessoas.
A aprovação de reformas estruturantes no Congresso Nacional, como a simplificação tributária, é vista como fundamental para destravar o crescimento econômico e gerar um ambiente de negócios mais favorável. No entanto, a articulação política no Congresso tem se mostrado um desafio constante, com a oposição aproveitando cada oportunidade para dificultar a aprovação de projetos de interesse do governo. O líder do governo na Câmara, José Guimarães, tem a missão de garantir a governabilidade em meio a um cenário de polarização e disputa acirrada.
As emendas parlamentares são a moeda de troca nessa relação: o governo libera recursos para obras e projetos nos estados e municípios, e em troca, espera contar com o apoio dos parlamentares nas votações importantes no Congresso. O problema é que, muitas vezes, essa dinâmica acaba gerando um cabo de guerra entre o Executivo e o Legislativo, com cada lado defendendo seus próprios interesses.
Enquanto isso, na oposição...
Enquanto o governo tenta emplacar sua agenda econômica, a oposição, liderada pelo bolsonarismo, aposta na exploração da rejeição a Lula e ao PT para desgastar a imagem do presidente e pavimentar o caminho para 2026. A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, determinada pelo STF, não o tirou do centro do debate político. Pelo contrário: a situação do ex-presidente mobiliza seus apoiadores e intensifica a polarização.
A pesquisa Datafolha também revelou que a maioria dos brasileiros (59%) defende que Bolsonaro cumpra pena em regime domiciliar, enquanto 37% querem que ele volte para a prisão. Esses números mostram que a figura de Bolsonaro ainda divide o país e que sua influência na política nacional está longe de acabar.
O que esperar dos próximos meses?
O cenário político para os próximos meses é de muita incerteza e volatilidade. A economia, a pandemia, a polarização política e as eleições de 2026 são fatores que podem influenciar o humor da população e o desempenho do governo Lula. Para o cidadão comum, isso significa que a atenção deve estar redobrada: as decisões tomadas em Brasília terão impacto direto no seu bolso, nos serviços públicos que utiliza e nos seus direitos.
Ainda é cedo para cravar qualquer prognóstico, mas uma coisa é certa: a disputa pelo poder em 2026 será acirrada e cada voto fará a diferença. Resta saber se o governo Lula conseguirá reverter a tendência de queda na popularidade e convencer a maioria dos brasileiros de que está no caminho certo para o país.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.