A política brasileira vive um momento de silêncio estratégico e de promessas de retomada de medidas econômicas. Enquanto a data das eleições de 2026 se aproxima, ao menos 11 ministros da gestão Lula decidiram apagar referências aos seus cargos em perfis pessoais nas redes sociais. A movimentação, orientada pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), busca blindar os auxiliares do presidente de possíveis questionamentos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o período conhecido como defeso eleitoral. O receio é que a menção ao cargo ministerial possa ser interpretada como propaganda institucional indevida, especialmente em um ano pré-eleitoral.

Cautela nas Redes Sociais

A recomendação da Secom foi clara: os ministros deveriam tomar todos os cuidados possíveis em suas plataformas digitais, evitando, inclusive, usar a descrição do cargo para prevenir confusões com a política institucional do governo. Essa estratégia, embora não seja inédita, reflete a sensibilidade do Planalto com a fiscalização da Justiça Eleitoral. Não é a primeira vez que o governo se vê em meio a regras que delimitam o uso de cargos públicos em períodos de campanha. Em 2022, por exemplo, muitos gestores públicos foram orientados sobre os limites de suas comunicações online. A decisão dos ministros de agir preventivamente demonstra um entendimento de que a vigilância eleitoral se intensifica à medida que as urnas se aproximam, e qualquer deslize pode gerar dores de cabeça jurídicas, com potencial para afetar o cenário político.

'Taxa das Blusinhas': Retorno em Debate

Enquanto os ministros se preocupam com a imagem pública nas redes, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, volta suas atenções para os cofres públicos e o impacto da economia. Durigan admitiu que o fim da chamada 'taxa das blusinhas', que isentava de imposto de importação compras internacionais de até US$ 50, tem levado a um aumento no volume de encomendas. O governo, segundo ele, realizou essa isenção como um período de 'amostragem' para avaliar as consequências econômicas. No entanto, a equipe econômica já monitora de perto os dados e considera a possibilidade de propor ao presidente Lula o retorno da taxação. A justificativa seria a necessidade de manter a isonomia com a produção nacional, que pode ser prejudicada pela competitividade dos produtos importados sem tributação.

A revogação da taxa, feita em maio por meio de Medida Provisória, ainda depende de aprovação do Congresso Nacional para ter validade após os 120 dias iniciais. Esse cenário já movimenta os bastidores em Brasília, com produtores nacionais e importadores buscando defender seus interesses. A disputa pela 'taxa das blusinhas' é um exemplo claro de como decisões de política econômica podem gerar reações em diferentes setores e se transformar em embates no Legislativo.

Declarações Polêmicas e Gestão de Pastas

Em meio a essas movimentações, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também se envolveu em uma polêmica ao comparar a economia brasileira com a da Argentina e classificar o presidente argentino, Javier Milei, de 'palhaço'. Durante entrevista, Durigan destacou os indicadores positivos do Brasil, como baixo desemprego e inflação, além de recordes na balança comercial e queda no desmatamento, em contraste com a situação argentina. A declaração, embora carregada de opinião pessoal, joga luz sobre as diferentes visões econômicas na região e a busca por reafirmar a estabilidade brasileira diante de desafios regionais.

Durigan também abordou a situação do BRB (Banco de Brasília), negando que o governo federal destinará recursos para salvá-lo. Segundo o ministro, o banco dilapidou seu próprio patrimônio em cerca de R$ 12 bilhões devido a 'operações de origem criminosa'. Essa afirmação é crucial para o mercado, pois afasta o risco de uso de dinheiro público para cobrir prejuízos de terceiros e reforça a solidez do sistema bancário brasileiro. Essa postura do ministro demonstra uma gestão de pastas que, na prática, busca equilibrar a necessidade de estímulos econômicos com a prudência fiscal, algo que o cidadão sente diretamente no bolso através da estabilidade e do custo de vida.

Na minha leitura, a ação dos ministros em retirar referências aos seus cargos das redes sociais é uma jogada de bastidor que, embora possa parecer pequena, demonstra a preocupação do governo em evitar narrativas de abuso de poder ou uso indevido de suas posições em um ano que já começa a sentir o clima eleitoral. É um movimento de prevenção que fala mais alto do que muitas declarações públicas. Essa antecipação de problemas com a Justiça Eleitoral, em minha experiência cobrindo Brasília, é um padrão recorrente de governos em anos que antecedem eleições, um sinal de que a gestão de imagem pública e a conformidade legal caminham juntas, quer se queira ou não.