O cenário político brasileiro anda movimentado, não só pelos embates tradicionais no Congresso ou pelos preparativos para as eleições de 2026. No último sábado (16), em São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) inaugurou a sorveteria "Gelado do Campo", no bairro da Barra Funda. O evento contou com a presença de nomes como o ex-ministro Paulo Teixeira, o deputado estadual Eduardo Suplicy e o mágico americano Val Valentino, conhecido pelo personagem Mister M.

A sorveteria, que aposta em produtos da agricultura familiar, é uma parceria do MST com o chef Francisco Sant'Ana, amigo de Valentino. Essa iniciativa, embora pareça distante das discussões de gabinete, reflete a busca por novas formas de atuação e sustentação para movimentos sociais, conectando-os diretamente com o consumidor.

Paralelamente a essa movimentação de base, a máquina pública estatal tem sido utilizada de forma intensificada pelo governo federal. Dora Kramer, em sua coluna, aponta que a "ofensiva populista" do governo em favor da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evidencia um alto grau de preocupação com a reeleição. Segundo essa análise, o governo não se abateu com dificuldades e segue fazendo uso da estrutura pública para atender às necessidades eleitorais do chefe do Executivo.

Essa estratégia de utilizar o aparato estatal para fins eleitorais não é novidade e tem sido uma tática recorrente em anos de disputa por mandato. A discussão sobre a influência do uso da máquina pública no resultado das urnas sempre gera debate sobre a isonomia e a justiça do processo democrático. Para o cidadão comum, isso pode se traduzir em investimentos públicos direcionados com foco eleitoral, ou em campanhas institucionais que se misturam com propaganda partidária, dificultando a distinção entre o interesse público e o interesse de um grupo político.

Em outro front, o ambiente acadêmico também tem refletido o acirramento político. Relatos de censura e antagonismo têm emergido de universidades públicas em ano eleitoral. Professores temem represálias ao debater temas sensíveis, como estudos de gênero e raça, em reformas curriculares. Um caso na Uerj, por exemplo, onde uma professora se opôs à inclusão desses temas sob o argumento de que sua disciplina não trata de assuntos atuais, gerou nota de repúdio dos alunos, que a acusaram de "perspectivas conservadoras".

Essa tensão dentro das universidades pode ter um impacto direto na qualidade da educação e na formação de pensamento crítico. Se o debate acadêmico é cerceado por receios políticos ou ideológicos, a capacidade de as instituições formarem cidadãos preparados para lidar com a complexidade da sociedade moderna fica comprometida. A censura, mesmo que velada, limita o acesso a diferentes perspectivas e pode perpetuar visões parciais da realidade.

Enquanto esses debates sociais e políticos se desenrolam, notícias de saúde pública em larga escala continuam a surgir. Um surto de hantavírus em um cruzeiro que partiu da Argentina deixou três mortos e ao menos sete infecções confirmadas, levando o navio a atracar na Holanda para quarentena e desinfecção. Embora este seja um evento internacional e de saúde, a capacidade de resposta e a coordenação de medidas sanitárias são sempre um reflexo da organização e investimento que um país, incluindo o Brasil, dedica à segurança e saúde de seus cidadãos. A atenção a esses surtos reforça a importância de vigilância e investimentos contínuos em saúde pública, um direito fundamental que pode ser afetado por decisões políticas e orçamentárias.