O ano de 2025 registrou um número alarmante de empresas buscando na Justiça o direito de se reestruturar financeiramente: foram 2.466 casos, um aumento de 13% em relação a 2024, segundo dados da Serasa Experian. O número é o maior já registrado, e levanta um sinal de alerta sobre a saúde da economia brasileira.

Por que tantas empresas estão em crise?

A situação é complexa e envolve diversos fatores. No setor agropecuário, que liderou o número de recuperações judiciais, a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, aponta para uma combinação de riscos climáticos, variação de preços de commodities e a alta do dólar, que encarece os insumos. O produtor rural enfrenta a imprevisibilidade do clima, tem seus custos atrelados à moeda americana e ainda vê os preços de seus produtos oscilarem no mercado internacional, o que potencializa as perdas.

Mas não é só o agro que sofre. O setor de serviços também enfrenta desafios, com 739 empresas em recuperação judicial. O comércio e a indústria vêm em seguida, mostrando que a crise atinge diversos segmentos da economia. A pandemia de Covid-19 ainda ecoa, com empresas endividadas e dificuldade de retomar o ritmo de crescimento. Juros altos e a inflação corroendo o poder de compra da população completam o cenário.

O que é Recuperação Judicial?

Para entender a dimensão do problema, é importante saber o que é a recuperação judicial. É um processo legal que permite à empresa em dificuldades financeiras negociar com seus credores e apresentar um plano de recuperação para evitar a falência. Pense como uma maratona: a empresa busca fôlego na Justiça para se reerguer e voltar a produzir.

E como isso afeta você?

A crise nas empresas não fica restrita aos balanços contábeis. Ela tem um impacto direto na vida do cidadão brasileiro. Uma empresa em recuperação judicial pode demorar a pagar seus fornecedores, atrasar salários de funcionários e até mesmo fechar as portas, gerando desemprego e afetando a economia local.

Além disso, a instabilidade econômica provocada pela crise nas empresas pode influenciar as decisões políticas em Brasília. A pressão por medidas de apoio ao setor produtivo aumenta, e o governo precisa encontrar um equilíbrio entre atender às demandas das empresas e manter a saúde das contas públicas. É como andar na corda bamba: qualquer passo em falso pode ser desastroso.

A política partidária entra em cena

Em ano de eleições, como 2026, a situação econômica ganha ainda mais relevância. Os partidos políticos certamente usarão os dados da recuperação judicial como munição em seus discursos, buscando apresentar soluções para a crise e conquistar o voto do eleitor. A oposição, por exemplo, pode usar os números para criticar a política econômica do governo, enquanto a situação tentará mostrar que está tomando as medidas corretas para reverter a situação.

A discussão sobre o papel do Estado na economia também se acirra. Alguns defendem uma intervenção maior, com a criação de programas de crédito subsidiado e a redução de impostos. Outros, por sua vez, pregam a necessidade de um ajuste fiscal, com corte de gastos e aumento da eficiência do setor público. Esse debate, que já é acalorado, tende a ganhar ainda mais intensidade com a proximidade das eleições.

O que esperar do futuro?

É difícil prever o que acontecerá nos próximos meses, mas o cenário aponta para um período de incertezas. A aprovação de reformas estruturantes, como a tributária, é vista por muitos como fundamental para destravar a economia e atrair investimentos. No entanto, a articulação política para aprovar essas reformas é complexa e exige um grande esforço do governo. Emendas parlamentares, por exemplo, funcionam como moeda de troca: o governo libera recursos e, em troca, ganha votos no Congresso.

Resta saber se o governo conseguirá conduzir a economia em meio a essa turbulência e se as empresas encontrarão um caminho para se reerguer. O resultado dessa equação terá um impacto direto no bolso do brasileiro e no futuro do país.