O sábado (25 de julho de 2026) funcionou como um grande palco para demonstrações de força e articulações partidárias em algumas das principais praças eleitorais do país. Enquanto o calendário político se acelera rumo às eleições, convenções em estados estratégicos como Rio de Janeiro e São Paulo revelam as primeiras grandes jogadas e os desafios que se apresentam para os partidos e seus líderes.

Republicanos aposta em nomes conhecidos no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o Republicanos oficializou a candidatura de Anthony Garotinho ao governo estadual. A escolha do ex-governador, que já ocupou o cargo entre 1999 e 2002, sinaliza uma aposta em um nome com histórico e reconhecimento popular, mas que também carrega o peso de administrações passadas. A chapa terá como vice o coronel Venâncio Moura, ex-comandante do Bope, demonstrando uma tentativa de atrair um eleitorado mais conservador e focado em segurança pública. A convenção também lançou as candidaturas de Marcelo Crivella e Waguinho ao Senado, buscando fortalecer a presença do partido na disputa por cadeiras na casa legislativa. A articulação para compor a chapa majoritária, com a indicação de um vice ligado às forças de segurança, é uma estratégia comum para reforçar a imagem de ordem e controle, algo que costuma ressoar em momentos de instabilidade percebida pela população. Na minha leitura, essa movimentação no Rio busca capitalizar no sentimento de insatisfação com o cenário atual, apostando na nostalgia de gestões anteriores.

Vale lembrar que nomes como o de Garotinho, com trajetórias políticas longas e controversas, tendem a polarizar o debate. A adesão de seu aliado, Waguinho, que recentemente se aproximou do presidente Lula, também demonstra a habilidade do Republicanos em navegar por diferentes espectros políticos para garantir sua relevância.

Haddad oficializado em SP com ataques a adversários

Em São Paulo, o PT realizou sua convenção em Campinas, um movimento inédito para um cargo majoritário, lançando oficialmente Fernando Haddad ao governo do estado. A presença do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin no evento reforça a importância que o partido atribui à disputa paulista. Os discursos foram marcados por críticas contundentes ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), cuja candidatura presidencial também foi oficializada no mesmo dia. Haddad, em sua fala, não poupou críticas ao governador Tarcísio, especialmente pela homenagem ao presidente argentino Javier Milei. A comparação feita por Haddad com a aprovação de Milei e a crítica à entrega da medalha da Ordem do Ipiranga demonstram a estratégia petista de vincular seus adversários paulistas a figuras impopulares ou controversas no cenário internacional. Quem acompanha a política em São Paulo sabe que o PT sempre buscou se projetar como uma alternativa viável e, nesse sentido, os ataques a Tarcísio e Flávio Bolsonaro funcionam como um cartão de visitas da campanha.

A estratégia de focar nas privatizações, como a da Sabesp, e de exaltar o papel das mulheres na política, foi um vislumbre do que deve ser a campanha petista: uma abordagem que mescla pautas sociais com críticas às políticas consideradas conservadoras ou entreguistas dos seus oponentes. A decisão de realizar a convenção no interior paulista também é um movimento estratégico para tentar romper a polarização que historicamente se concentra na capital.

Tarcísio e a busca por alianças para Flávio Bolsonaro

Enquanto o PT lançava Haddad, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, usava a convenção de Flávio Bolsonaro para tentar costurar um apoio fundamental. O Republicanos, partido de Tarcísio, é visto como a última esperança do PL para angariar um aliado significativo na corrida presidencial. A federação União Brasil-PP e outros partidos do centrão optaram pela neutralidade, o que coloca Tarcísio em uma posição delicada. Ele expressou otimismo quanto a uma possível aliança, mas a realidade política mostra um cenário de isolamento para a candidatura de Flávio Bolsonaro. Em 2022, vimos a dificuldade que candidatos com apoio limitado de grandes partidos enfrentaram. A situação atual, em que o Republicanos é a única peça que pode mover o tabuleiro a favor do PL, exige uma articulação intensa. O tempo dirá se Tarcísio conseguirá convencer seu próprio partido a embarcar nessa empreitada, o que não é uma tarefa simples, dado o peso eleitoral e os interesses divergentes em jogo.

A convenção de Flávio Bolsonaro, apesar de contar com a presença de Tarcísio, evidenciou o isolamento que sua candidatura presidencial enfrenta. A dependência de Tarcísio para viabilizar o apoio do Republicanos demonstra a fragilidade da aliança entre PL e Republicanos em um cenário nacional. Essa dinâmica no campo da direita mostra que, mesmo entre aliados, as negociações são complexas e nem sempre lineares, especialmente quando há eleições estaduais com fortes disputas internas.

O intrincado jogo de articulações políticas

Esses movimentos de fim de semana são apenas o começo de um intrincado jogo político, onde cada partido e líder busca mover suas peças no tabuleiro para garantir as melhores posições. As convenções oficializam candidaturas, mas as alianças ainda são fluidas e dependem de uma série de fatores, como a força de cada partido em determinada região, os interesses de lideranças locais e a dinâmica nacional. A situação em São Paulo, com a disputa entre Haddad e Tarcísio, e a possibilidade de um apoio do Republicanos a Flávio Bolsonaro, ilustram a complexidade dessas articulações. No Rio, a entrada de Garotinho no páreo adiciona mais uma variável a um cenário já complexo. Na minha visão, o que estamos testemunhando é um reflexo da fragmentação partidária e da busca por nichos de eleitorado que permitam a sobrevivência e o crescimento de legendas em um ambiente cada vez mais competitivo.

Para o cidadão comum, essas movimentações podem parecer distantes, mas elas têm impacto direto na gestão pública. A forma como as alianças são formadas, os candidatos escolhidos e as prioridades políticas definidas em cada estado podem determinar a qualidade dos serviços públicos, a eficiência na aplicação de recursos e o direcionamento de políticas sociais. A escolha de um vice ligado às forças de segurança no Rio, por exemplo, aponta para um foco em segurança que pode se traduzir em maiores investimentos na área. Da mesma forma, as críticas de Haddad às privatizações em São Paulo sinalizam um possível direcionamento diferente para estatais como a Sabesp, caso ele vença a eleição. O desfecho dessas articulações definirá o futuro de muitos programas e a forma como impostos serão geridos, impactando diretamente o bolso e o dia a dia de todos.