O Paraguai está dando um passo ousado para atrair empresas estrangeiras, e a jogada pode ter impacto direto na economia brasileira. O governo paraguaio implementou novas regras que facilitam a instalação de empresas, especialmente nos setores de tecnologia e serviços. A principal arma nessa estratégia é a redução de impostos e a simplificação da burocracia.

O que mudou no Paraguai?

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, regulamentou a Lei nº 7.547/2025, que trata do regime de maquila. Esse regime já existia, mas agora foi turbinado. A principal mudança é a inclusão do setor de serviços e a devolução de 0,5% do crédito do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) para empresas desse setor. Na prática, isso significa que empresas de tecnologia, call centers, e outras prestadoras de serviços terão um incentivo a mais para se instalarem no país.

Para entender o tamanho do impacto, imagine que o Paraguai está oferecendo um “desconto” nos impostos para quem produzir ou prestar serviços por lá, especialmente se for para exportar. É como se o governo dissesse: “Venham para cá, paguem menos impostos e lucrem mais”.

Por que isso é um problema para o Brasil?

A proximidade geográfica e cultural faz do Brasil um “concorrente” natural do Paraguai na atração de investimentos estrangeiros. Se o Paraguai oferece condições mais vantajosas, empresas brasileiras e estrangeiras podem optar por migrar para lá, levando consigo empregos e receita que poderiam ficar no Brasil.

O custo de vida mais baixo no Paraguai também é um atrativo. Para empresas que buscam reduzir custos operacionais, essa diferença pode ser decisiva. É como se o Paraguai estivesse oferecendo um aluguel mais barato e impostos menores para quem quer abrir um negócio.

Consequências para o cidadão brasileiro

A perda de investimentos para o Paraguai pode ter diversas consequências para o cidadão brasileiro:

  • Menos empregos: Se empresas se mudarem para o Paraguai, haverá menos vagas de emprego disponíveis no Brasil.
  • Menos arrecadação de impostos: Com menos empresas operando no Brasil, o governo arrecadará menos impostos, o que pode impactar a oferta de serviços públicos, como saúde, educação e segurança.
  • Menor crescimento econômico: A saída de empresas pode desacelerar o crescimento econômico do Brasil, afetando a renda e o poder de compra da população.

O que o Brasil pode fazer?

O Brasil precisa reagir para não perder competitividade. Algumas medidas que podem ser tomadas incluem:

  • Reduzir a burocracia: Simplificar os processos de abertura e operação de empresas no Brasil.
  • Diminuir a carga tributária: Tornar o sistema tributário brasileiro mais competitivo em relação a outros países. A reforma tributária em discussão no Congresso é um passo importante nessa direção, mas precisa avançar.
  • Investir em infraestrutura: Melhorar as estradas, portos e aeroportos para facilitar o transporte de mercadorias e reduzir os custos logísticos.
  • Melhorar o ambiente de negócios: Criar um ambiente mais favorável à inovação e ao empreendedorismo.

O jogo está aberto, e o Brasil precisa entrar em campo com uma estratégia clara para não ficar para trás. A economia do Paraguai, impulsionada por essas novas regras, pode se tornar uma pedra no sapato para o Brasil se nada for feito.