A dança das cadeiras no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já tem um novo protagonista: Kassio Nunes Marques assume a presidência da corte nesta terça-feira (12). Para quem acompanha os bastidores políticos de Brasília, essa mudança sinaliza não apenas uma nova gestão, mas também um cenário complexo para as eleições de 2026. Enquanto o PT já articula estratégias para combater a desinformação contra o presidente Lula e o próprio partido, a nova composição do TSE e o avanço da inteligência artificial trazem novas preocupações. A eleição que se aproxima promete ser um campo de batalha digital cada vez mais sofisticado.
A preocupação com a desinformação não é novidade. Em 2022, o PT, em particular, apresentou centenas de representações no TSE sobre o tema. Na época, o tribunal era presidido por Alexandre de Moraes, figura central no combate às fake news, com um programa fortalecido e parcerias estratégicas. Agora, com Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), o cenário no TSE muda. Marques, inclusive, já demonstra uma postura de buscar se diferenciar de seu antecessor, buscando blindar o tribunal contra questionamentos às urnas eletrônicas, um tema que, infelizmente, ainda gera ruído e desconfiança em parte da população, alimentado por campanhas de desinformação persistentes.
Essa estratégia de “blindagem” do novo presidente do TSE já começou. Dias após assumir, Nunes Marques conduzirá um teste público das urnas eletrônicas, um equipamento que está em uso no Brasil desde 1996 e que, vale lembrar, nunca teve seu processo de votação fraudado. Essa iniciativa visa a tranquilizar os eleitores e, ao mesmo tempo, a robustecer a confiança no sistema, mostrando que a Justiça Eleitoral está atenta e transparente. A segurança das urnas, da mesma forma, exige processos claros e comunicação eficaz para que a população sinta segurança no resultado.
O desafio, contudo, transcende a simples organização e fiscalização. A inteligência artificial (IA) e as novas técnicas de viralização trouxeram um novo patamar de complexidade para a disseminação de conteúdo falso. Se antes o foco era em textos e imagens manipuladas, hoje nos deparamos com vídeos e áudios sintéticos, os chamados deepfakes, que podem criar narrativas completamente distorcidas com um realismo assustador. Para partidos e candidatos, isso significa que a capacidade de reação a uma onda de desinformação precisa ser ainda mais ágil e eficaz. O PT, por exemplo, está focando em ferramentas para questionar rapidamente conteúdos considerados falsos no TSE. Essa é uma corrida contra o tempo, onde a informação verdadeira precisa ser mais rápida e persuasiva que a mentira.
Essa corrida tem implicações diretas na vida do cidadão. A desinformação eleitoral, quando bem-sucedida, pode influenciar o resultado das urnas, impactando diretamente nas políticas públicas que moldarão o futuro do país. Uma eleição onde a opinião pública é formada por mentiras pode resultar em governos despreparados para lidar com questões cruciais como a economia, a saúde ou a educação. A confiança nas instituições, como o próprio TSE, também fica abalada, abrindo espaço para um ciclo de instabilidade política e social. Uma estrutura construída sobre bases de inverdade tende a se fragilizar com o tempo.
O TSE, como órgão máximo da Justiça Eleitoral, tem a responsabilidade de garantir a legitimidade do processo democrático. Sua composição, que segue um rodízio entre ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e juristas, é um fator que precisa ser compreendido pelo eleitor. A escolha dos integrantes do tribunal para presidir e conduzir os processos eleitorais tem um peso simbólico e prático imenso. A forma como o tribunal lidará com as novas tecnologias e os desafios da desinformação será crucial para a saúde da democracia brasileira nos próximos anos.
A perspectiva para as próximas eleições é de um embate cada vez mais acirrado no campo digital. A IA, que pode ser uma ferramenta poderosa para a organização e até para o engajamento cívico, também se revela um terreno fértil para a manipulação. A habilidade das autoridades eleitorais, dos partidos e da sociedade civil em identificar, combater e educar sobre os perigos da desinformação será determinante. O TSE de Kassio Nunes Marques tem, portanto, um papel fundamental e uma missão complexa pela frente: garantir que as urnas de 2026 reflitam a vontade soberana do eleitor, e não as distorções criadas por algoritmos maliciosos.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.