O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março, chega em um momento delicado para o Brasil. Enquanto a data é um marco de luta por direitos e igualdade, os números da violência contra a mulher no país seguem alarmantes, com reflexos que vão muito além da segurança pública, impactando diretamente a economia e o bem-estar social.

Feminicídios em alta: um retrato preocupante

Dados recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que o Brasil registrou um número recorde de feminicídios em 2025, com 1.470 casos. Esse aumento expressivo demonstra a persistência da violência de gênero e a urgência de medidas mais eficazes para proteger as mulheres.

A situação é ainda mais grave quando analisamos o uso de armas de fogo nesses crimes. Segundo levantamento do Instituto Sou da Paz, quase metade (47%) dos homicídios de mulheres em 2024 foram cometidos com armas. O estudo, intitulado “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, aponta que, embora tenha havido uma leve queda nos homicídios de mulheres entre 2020 e 2024, o instrumento permanece como o meio mais utilizado nesses crimes.

Malu Pinheiro, pesquisadora em segurança pública do Instituto Sou da Paz, ressalta o alto poder letal das armas de fogo. “Nos casos de feminicídio em que foram utilizadas armas de fogo, há até 85% mais chances de a vítima morrer do que quando outros meios de agressão são utilizados”, afirma.

Impactos na economia: um custo invisível

A violência contra a mulher não se restringe à esfera individual e familiar. Ela gera custos significativos para a economia, tanto diretos quanto indiretos. A perda de produtividade, o afastamento do trabalho, os gastos com saúde e segurança pública, e até mesmo a queda no consumo são algumas das consequências econômicas da violência de gênero.

Imagine a seguinte situação: uma mulher, vítima de violência doméstica, precisa se afastar do trabalho para se proteger e buscar ajuda. Essa ausência impacta a produtividade da empresa, que precisa lidar com a falta da funcionária e os custos de substituição. Além disso, a mulher perde sua renda, o que afeta seu poder de compra e contribui para a redução do consumo.

Essa é apenas uma pequena amostra dos impactos econômicos da violência contra a mulher. Um estudo do Instituto Maria da Penha, divulgado em 2024, estimou que a violência doméstica custa cerca de R$ 1,7 bilhão por ano ao Brasil, considerando apenas os gastos com saúde, segurança pública e assistência social. Se incluirmos os custos indiretos, como a perda de produtividade e a queda no consumo, esse valor pode ser ainda maior.

O que o mercado financeiro tem a ver com isso?

A violência contra a mulher também é um fator de risco para o mercado financeiro. Empresas que não se preocupam com a segurança e o bem-estar de suas funcionárias podem sofrer prejuízos com a perda de talentos, a queda na produtividade e até mesmo a deterioração de sua imagem. Investidores cada vez mais conscientes estão atentos a essas questões e podem evitar empresas que não adotam práticas de responsabilidade social e de gênero.

Além disso, a violência contra a mulher pode afetar as projeções econômicas do país. Se a população feminina, que representa uma parcela significativa da força de trabalho, não se sentir segura e protegida, isso pode ter um impacto negativo no crescimento econômico e no desenvolvimento social.

Articulações no Congresso e a busca por soluções

Diante desse cenário, o Congresso Nacional tem se mobilizado para aprovar leis mais rigorosas contra a violência de gênero e fortalecer as políticas públicas de proteção às mulheres. No entanto, a implementação dessas leis e políticas ainda enfrenta desafios, como a falta de recursos, a burocracia e a resistência cultural.

Emendas parlamentares, por exemplo, podem ser direcionadas para financiar projetos de prevenção à violência e de apoio às vítimas. Mas é preciso garantir que esses recursos sejam utilizados de forma eficiente e transparente, para que realmente façam a diferença na vida das mulheres.

O futuro da luta: mais proteção e igualdade

O combate à violência contra a mulher é um desafio complexo que exige o envolvimento de toda a sociedade. É preciso investir em educação, conscientização e em políticas públicas que promovam a igualdade de gênero e o respeito aos direitos das mulheres. Só assim será possível construir um Brasil mais justo, seguro e próspero para todos.

A celebração do Dia Internacional da Mulher, portanto, deve ser um momento de reflexão e de renovação do compromisso com a luta por um mundo livre de violência e discriminação. Um mundo onde todas as mulheres possam viver com dignidade, segurança e igualdade de oportunidades. A economia agradece.