A sensação de insegurança nas ruas, nas cidades e até no campo voltou a ser o principal fantasma na vida do brasileiro. Uma pesquisa recente do Ipsos, divulgada com exclusividade pelo G1, escancara essa realidade: 49% dos entrevistados apontam o crime e a violência como a maior preocupação no país. É um salto de 8 pontos percentuais em relação a janeiro, mostrando que o problema não só persiste, como se agrava.
Para o cidadão comum, isso significa muito mais do que apenas estatísticas. Significa pensar duas vezes antes de sair de casa, evitar certos horários e lugares, e viver com o medo constante de ser a próxima vítima. E, claro, pesa no bolso: sistemas de segurança, alarmes, seguros… tudo isso entra na conta, diminuindo a renda disponível para outras necessidades.
De quem é a culpa e o que fazer?
A pergunta que não quer calar é: por que a violência está crescendo? E, mais importante, o que pode ser feito para reverter essa situação? As respostas não são simples, e envolvem uma série de fatores.
O CEO da Ipsos Brasil, Diego Pagura, destaca que o aumento da preocupação com a violência está ligado à repercussão de episódios recentes, como os números recordes de feminicídio e o caso do cachorro Orelha, que gerou debates sobre violência e brutalidade. Ou seja, a sensação de impunidade e a banalização da violência contribuem para o problema.
Disputa por verbas
É importante notar que o aumento da preocupação com a segurança pública acontece em um momento de intensos debates sobre o orçamento federal. A disputa por recursos entre as diferentes áreas do governo é acirrada, e a segurança pública, que historicamente sofre com falta de investimentos, precisa mostrar resultados para garantir mais verbas. Afinal, não adianta ter a melhor polícia do mundo se faltam viaturas, equipamentos e salários dignos para os agentes.
Mas o problema não se resume a dinheiro. É preciso investir também em inteligência, tecnologia e, principalmente, em políticas sociais que combatam as causas da violência. Afinal, a criminalidade não surge do nada. Ela é fruto da desigualdade social, da falta de oportunidades e da ausência do Estado em áreas vulneráveis.
Efeitos colaterais na política e na economia
A crescente preocupação com a segurança pública tem reflexos diretos na política e na economia. Políticos que defendem um discurso mais duro contra a criminalidade ganham popularidade, enquanto propostas que visam a ressocialização de presos e a redução da desigualdade social enfrentam resistência.
Na economia, a violência afeta o turismo, o comércio e a atração de investimentos. Empresas e pessoas físicas pensam duas vezes antes de se instalarem em áreas consideradas violentas, o que gera um ciclo vicioso de pobreza e criminalidade.
Recentemente, o governo brasileiro tem buscado fortalecer a cooperação internacional no combate ao crime organizado, especialmente no âmbito do Mercosul e em negociações com a União Europeia. A ideia é trocar informações, tecnologias e experiências para enfrentar o problema de forma mais eficaz. Por exemplo, o acordo para facilitar o comércio de açúcar e etanol com a UE pode trazer recursos que, se bem aplicados, podem ser direcionados para a área de segurança, gerando empregos e oportunidades para jovens em áreas de risco.
O tema da segurança pública é uma prioridade para o eleitor brasileiro, e quem souber apresentar as melhores soluções para o problema certamente terá mais chances nas próximas eleições. A conferir.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.