A quinta-feira por aqui mostra um cenário econômico com alguns pontos de luz, mas também com nuvens se formando no horizonte. Se por um lado a gente viu um fôlego no consumo das famílias brasileiras, por outro, os olhos já estão atentos ao clima e aos preços que vêm por aí.
Para o brasileiro que está sentindo o peso do dia a dia, a notícia é que o consumo em casa, ou seja, o que compramos nos supermercados e atacadistas, deu um salto em março. Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), houve um crescimento de 3,2% em comparação com março do ano passado. Olhando mês a mês, o avanço foi ainda mais expressivo: 6,21% sobre fevereiro. O primeiro trimestre fechou com uma alta acumulada de 1,92%.
Essa aceleração tem nome e sobrenome: Páscoa antecipada e mais dinheiro circulando. Com a data festiva caindo no início de abril, muita gente adiantou as compras ainda em março. Somado a isso, tivemos a liberação de recursos importantes como Bolsa Família, PIS/Pasep, restituições do Imposto de Renda e pagamentos do INSS. É como se a torneira da renda das famílias tivesse sido um pouco mais aberta, dando um empurrãozinho nos gastos.
Mas, como nem tudo são flores, mesmo com esse impulso no consumo, a conta do supermercado continua dando um susto. O termômetro da Abrasmercado, que mede a variação de preços de uma cesta de 35 produtos de largo consumo, marcou uma alta de 2,20% só em março. Foi o maior aumento do primeiro trimestre. É como se, mesmo gastando mais, a sensação de que o dinheiro 'encolhe' na carteira parece não ir embora.
Clima e Guerra: um coquetel para a inflação
E falando em preços, a coisa pode ficar ainda mais complicada. Dois fatores poderosos estão se unindo para pressionar a inflação no Brasil, especialmente a dos alimentos, que pesa diretamente na mesa de todo mundo: o fenômeno climático El Niño e o conflito no Oriente Médio.
O El Niño, para quem não lembra, é aquele aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico que bagunça o clima pelo mundo. E ele promete vir forte este ano. Segundo apuração do InfoMoney Economia, os efeitos do El Niño devem começar a se manifestar já a partir de maio e se intensificar ao longo do ano, com um auge de chuvas esperado para outubro. A expectativa é de um evento de intensidade de moderada a forte, parecido com o que vimos em 2023, trazendo temporais pesados para o Sul do país e ondas de calor frequentes e amplas para o interior.
Para o agronegócio, essa é uma notícia preocupante. Temperaturas extremas e chuvas fora do padrão afetam as lavouras, a produtividade e, consequentemente, os preços dos alimentos. Pense nos seus legumes, frutas e até no café que você toma: tudo pode ficar mais caro se a colheita for comprometida. Bancos e consultorias já estão revendo para cima suas projeções de inflação para este ano por conta dessa 'ameaça climática'.
Para completar o cenário, o conflito no Oriente Médio continua a ser uma sombra. Os preços de combustíveis e fertilizantes, que já estavam sob pressão, podem subir ainda mais. Isso impacta o custo de transporte dos alimentos e a produção agrícola, empurrando os preços para cima na ponta final, ou seja, no seu prato. Essa gangorra de preços é um desafio e tanto para o orçamento das famílias, que se veem em uma corrida contra o relógio para fazer o salário do mês durar.
Carros Eletrificados na Pista da Aceleração
Em um canto um pouco diferente da economia brasileira, mas que mostra uma mudança interessante de hábitos, o setor automotivo vive um momento de virada, especialmente nos veículos eletrificados (elétricos e híbridos). O primeiro trimestre deste ano viu as vendas desses carros quase dobrarem, com um salto de 88% em relação ao mesmo período de 2025.
Foram mais de 95 mil veículos eletrificados (carros e comerciais leves) emplacados no Brasil, segundo levantamento da K.Lume Consultoria Automobilística com dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). Para ter uma ideia da dimensão, enquanto isso, a venda de carros a combustão cresceu apenas 7% na mesma comparação. É uma disparidade enorme!
O que está por trás dessa arrancada? Especialistas apontam a chegada de novas montadoras ao Brasil, com destaque para as marcas chinesas, que vêm com modelos competitivos e preços agressivos. Além disso, a resistência do consumidor brasileiro com a tecnologia desses veículos está diminuindo. Antes vistos como algo distante e caro, os carros elétricos e híbridos começam a ganhar espaço, prometendo não só uma pegada mais verde, mas também uma economia no posto de combustível – um atrativo e tanto em tempos de gasolina salgada.
Essa mudança no setor automotivo mostra que, mesmo com os desafios macroeconômicos, há setores da economia brasileira que estão se reinventando e acelerando, impulsionados por tecnologia e novas demandas de consumo.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.