Sábado, dia de fazer um balanço da semana e projetar a próxima. E se tem uma coisa que a gente aprendeu nos últimos anos é que a economia global se assemelha mais a uma teia complexa do que a um jogo simples. Cada movimento em um canto do mundo reverbera por aqui, às vezes de formas que a gente nem imagina.

Fertilizantes: a geopolítica no prato de cada dia

Comecemos pela novela dos fertilizantes. Com o estreitamento das relações comerciais no Oriente Médio, a Rússia viu uma oportunidade de ouro. O país é um dos maiores produtores e exportadores de fertilizantes do mundo, e com o bloqueio do Estreito de Ormuz, essa posição se torna ainda mais estratégica. Segundo o site The Conversation, países do Golfo, como Irã, Catar e Arábia Saudita, respondem por mais de um terço das exportações globais de ureia, um fertilizante essencial para o agronegócio, inclusive no Brasil.

O pulo do gato aqui é que o governo russo está usando o acesso a esses insumos como moeda de troca, buscando apoio para flexibilizar as sanções que o país vem sofrendo. É aquela velha história: a geopolítica influenciando diretamente o preço dos alimentos. E, claro, quem sente isso no bolso é o consumidor, já que o custo de produção aumenta e, invariavelmente, é repassado no supermercado.

Para entender a dimensão do problema, vale (VALE3) lembrar que o Brasil é muito dependente de fertilizantes importados. E quando a oferta diminui ou o preço dispara, toda a cadeia produtiva é afetada, desde o pequeno agricultor até as grandes empresas do setor. A solução? Diversificar as fontes de fornecimento e investir em alternativas de produção nacional, mas isso leva tempo e exige investimentos robustos.

Tarifas dos EUA: um alívio (talvez) no horizonte

Do outro lado do Atlântico, temos uma novela que se arrasta desde a era Trump: as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A boa notícia é que o governo americano está lançando um sistema de reembolso de até US$ 166 bilhões em tarifas cobradas ilegalmente no ano passado. A decisão veio após a Suprema Corte derrubar as tarifas, em fevereiro. Segundo a Reuters, o sistema de restituição, conhecido como CAPE, já está em fase inicial de desenvolvimento.

Para as empresas brasileiras que exportam para os EUA, essa é uma notícia animadora. Afinal, a imposição de tarifas sempre gera incertezas e dificulta o planejamento de longo prazo. Mas, como diz o ditado, “alegria de pobre dura pouco”. É preciso acompanhar de perto como esse sistema de reembolso vai funcionar na prática e se ele realmente vai beneficiar as empresas brasileiras de forma significativa. Afinal, como disse Jay Foreman, presidente-executivo da fabricante de brinquedos Basic Fun, “é preciso se preocupar com o que eles podem fazer para atrapalhar as coisas”.

FMI e a Europa: aperto de cinto à vista

E para completar o cenário global, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou novas projeções e alertas para a economia europeia. A instituição defende que os países da região adotem medidas fiscais mais direcionadas, evitando pacotes amplos de apoio que pressionam as contas públicas. O FMI estima que a guerra no Oriente Médio pode reduzir o PIB europeu em cerca de 0,5 ponto percentual até 2027.

O impacto disso no Brasil? Menos crescimento na Europa significa menor demanda por produtos brasileiros. E se a Europa, um dos principais parceiros comerciais do Brasil, está com dificuldades, isso acaba afetando o nosso desempenho econômico. É como se o nosso principal cliente estivesse passando por uma fase de vacas magras, o que inevitavelmente afeta nossas exportações e, consequentemente, nossa economia.

O que esperar?

Diante desse cenário complexo, o que podemos esperar para os próximos meses? A palavra de ordem é cautela. O governo brasileiro terá que calibrar a política econômica para mitigar os efeitos negativos desses fatores externos. Isso passa por uma gestão fiscal responsável, que controle os gastos públicos e evite o aumento da dívida. Além disso, é fundamental manter o radar ligado nas decisões do Banco Central em relação à taxa de juros (Selic). Afinal, juros altos encarecem o crédito e dificultam a retomada do crescimento.

Ainda sobre Durigan, é essencial que o governo continue buscando alternativas para diversificar as relações comerciais do Brasil, explorando novos mercados e fortalecendo os laços com outros parceiros estratégicos. E, claro, não podemos descuidar da agenda interna, com reformas que melhorem o ambiente de negócios e aumentem a competitividade da economia brasileira.

Em resumo, o cenário global está desafiador, mas o Brasil tem condições de enfrentar esses desafios com inteligência e planejamento. O importante é não perder de vista o objetivo de garantir um crescimento sustentável e inclusivo, que beneficie a todos os brasileiros.