Sabe aquele ditado 'quando a América espirra, o mundo pega resfriado'? Ele vale ouro para as decisões que saem do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. E nesta sexta-feira (24), uma notícia de lá agitou o cenário: o Departamento de Justiça dos EUA encerrou a investigação criminal contra o atual presidente do Fed, Jerome Powell.
Para quem acompanha a economia, essa novela já vinha se arrastando e agora tem um desfecho que, acredite, pode mexer com o seu bolso.
A novela da investigação e o que vem por aí
A investigação focava em supostas irregularidades e estouros de orçamento na reforma da sede do Federal Reserve, em Washington. A procuradora federal Jeanine Pirro, responsável por divulgar a decisão, informou que o caso agora será encaminhado ao Escritório do Inspetor-Geral do Fed, um órgão de fiscalização interna, para que se debruce sobre os custos da obra.
Mas, Ana, o que essa burocracia americana tem a ver com a gente? Tem tudo a ver! O arquivamento da investigação contra Jerome Powell remove um grande 'calcanhar de Aquiles' para a possível nomeação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve. Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump, precisava da aprovação do Senado, e um senador republicano, Thom Tillis, havia prometido bloquear a votação enquanto a sombra da investigação pairasse sobre Powell. Agora, o caminho está mais livre para a confirmação de Warsh.
Por que a mudança no Fed importa tanto para o Brasil?
Uma mudança no comando do Federal Reserve não é pouca coisa. O presidente do Fed é como o maestro da orquestra da economia global. Suas decisões sobre a taxa de juros americana (equivalente à nossa Selic) reverberam mundo afora.
Pense no Federal Reserve como o motorista de um carro potente, a economia global. Ele decide quando pisar no acelerador (cortar juros e injetar dinheiro) ou no freio (aumentar juros para conter a inflação). Um novo motorista, como Kevin Warsh, pode ter um estilo de direção bem diferente de Jerome Powell. Essa mudança de rota pode mexer bastante com o trânsito financeiro internacional.
Se o novo presidente do Fed tiver uma visão diferente sobre como combater a inflação ou estimular o crescimento, isso pode impactar diretamente o valor do dólar, o preço das nossas commodities (como soja e petróleo), e até o custo dos empréstimos para o Brasil.
Impacto direto no seu dia a dia
Para o brasileiro, isso pode significar, por exemplo, um dólar mais volátil. Se o Fed, sob um novo comando, sinalizar juros mais altos nos EUA, investimentos tendem a migrar para lá, valorizando o dólar e, consequentemente, encarecendo produtos importados que consumimos, desde eletrônicos a insumos para a indústria e o agronegócio.
Por outro lado, se a política americana sinalizar um afrouxamento monetário para estimular a economia, o dólar pode se desvalorizar. Aí sim, aquela viagem planejada para o exterior pode ficar mais barata, e alguns produtos importados podem ter um preço mais camarada nas prateleiras.
A estabilidade ou instabilidade que um novo presidente do Fed possa trazer é algo que os mercados globais e, claro, o Banco Central do Brasil, vão observar com lupa. Afinal, a taxa de juros que pagamos por aqui, seja no crediário ou num financiamento, tem sempre uma 'pitada' do que acontece lá fora.
Em resumo, a investigação contra Jerome Powell pode ter terminado, mas a saga do Federal Reserve está apenas começando. A chegada de Kevin Warsh, se confirmada, pode inaugurar uma nova fase na política monetária americana, e nós, por aqui, estaremos de olho em cada movimento.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.