Se o preço da gasolina te tira o sono, prepare-se para mais uma novidade. A Petrobras anunciou um reajuste na gasolina para as distribuidoras nesta sexta-feira (29/05/2026), a primeira vez que isso acontece desde o início da guerra no Oriente Médio. Mas antes que você comece a fazer contas para o próximo abastecimento, saiba que o impacto no seu bolso pode ser bem menor do que parece.

Um alívio disfarçado

O aumento anunciado pela estatal seria de R$ 0,48 por litro. Parece muito, certo? No entanto, o governo federal entrou em cena e vai repassar uma subvenção de R$ 0,44 por litro. O resultado? O aumento efetivo será de apenas R$ 0,04, elevando o preço de R$ 2,57 para R$ 2,61 o litro. Isso representa uma alta de 1,5%. Sem o subsídio, a gasolina nas refinarias custaria quase 19% a mais. É como se o mecânico te dissesse que seu carro precisa de um reparo caro, mas um seguro especial cobre quase tudo.

Essa medida é um respiro para a inflação. Fábio Romão, economista sênior da 4intelligence, esperava uma queda no preço da gasolina em junho, mas com esse reajuste, a expectativa agora é de uma leve alta de 0,10% no IPCA. A previsão geral para o índice de inflação oficial do país em junho subiu de 0,33% para 0,36%, e a projeção para o ano foi ajustada de 5,38% para 5,42%. Romão ressalta que a redução de quase todo o aumento previsto é uma notícia positiva, tirando uma dúvida sobre o quanto a subvenção realmente mitigaria a alta.

Onda de quedas em outras frentes

Enquanto a Petrobras ajusta seus preços para cima, o cenário em outras refinarias mostra um movimento contrário. A Refinaria de Mataripe, na Bahia, anunciou uma nova redução nos preços de seus combustíveis. O diesel S-10, por exemplo, ficou 7% mais barato, passando de R$ 5,57 para R$ 5,18 o litro. A gasolina também sentiu o impacto, com uma queda de 5%, saindo de R$ 4,10 para R$ 3,90 o litro. Os preços da Refinaria de Mataripe seguem critérios de mercado, que incluem o custo do petróleo internacional, câmbio e frete, podendo variar.

É importante notar que, mesmo com a alta anunciada pela Petrobras, o preço que chega às distribuidoras da estatal ainda está abaixo do praticado pela refinaria privada baiana. Essa diferença pode ser sentida no posto, dependendo de onde você abastece.

Golpe nos combustíveis: Nafta no lugar da gasolina

Mas nem tudo são boas notícias no universo dos combustíveis. Uma operação policial deflagrada nesta quinta-feira (28) em cinco estados revelou um esquema criminoso envolvendo a adulteração de combustíveis. Segundo apuração do G1 Economia, o golpe consiste no desvio de solventes petroquímicos importados, conhecidos como nafta. Essa substância tem uma tributação muito menor e é vendida ilegalmente como gasolina para veículos.

E o perigo é real. Especialistas alertam que a nafta, embora parecida com a gasolina, possui características diferentes, como uma octanagem mais baixa. Isso pode causar sérios danos aos motores. Tenório Júnior, professor de mecânica automotiva, explica que o principal sintoma é um "motor fraco", especialmente em momentos de retomada de velocidade ou aceleração. Em casos mais graves, o motor pode ser destruído completamente.

Os danos não param por aí. Bruno Bandeira, mecânico e proprietário da Oficina Mecânica Na Garagem, relata que a nafta pode afetar praticamente todas as partes do carro por onde o combustível circula. Ou seja, além de pagar por um produto adulterado, o consumidor pode ter um prejuízo financeiro altíssimo com os reparos.

Olho vivo nos preços e na qualidade

Enquanto o governo busca aliviar o peso dos combustíveis no bolso do brasileiro com subsídios, a ação policial contra fraudes nos lembra da importância de ficar atento. O cenário econômico em relação aos combustíveis é dinâmico, com refinarias ajustando preços e o governo intervindo para controlar o impacto inflacionário. No entanto, a qualidade do produto que chega ao seu tanque também é fundamental para a saúde do seu veículo e do seu bolso a longo prazo. Fique de olho nos preços, mas desconfie de ofertas muito vantajosas que podem esconder um problema maior.