A economia brasileira está dando sinais de que a batalha contra a inflação ainda não foi vencida. Depois de um período de alívio, os preços voltaram a subir com mais força em abril, e o mercado financeiro já começa a revisar suas projeções para o ano. O resultado? Uma sensação de aperto no bolso do consumidor, que vê os juros do empréstimo pessoal subirem, mesmo com a Selic em trajetória de queda.
IPCA no retrovisor: inflação volta a acelerar
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-10), divulgado pela FGV, saltou 2,94% em abril, revertendo a queda de 0,24% observada em março. Segundo a FGV, a alta reflete os impactos da guerra no Oriente Médio, que afetam os preços de diversos insumos importantes para a indústria e a agricultura. Para quem vai ao supermercado, a notícia não é boa: o tomate, por exemplo, já está pesando mais no orçamento.
E não para por aí. O Bank of America (BofA) revisou para cima sua projeção para o IPCA de 2026, estimando agora uma inflação de 5,5% no fim do ano. O banco espera que o IPCA já estoure o teto da meta de inflação em abril, permanecendo acima do limite tolerado por um período prolongado. Traduzindo em bom português, isso significa que a alta dos preços pode corroer o poder de compra das famílias e dificultar o planejamento financeiro.
Juros na contramão: empréstimo pessoal fica mais caro
Enquanto o Banco Central (BC) tenta estimular a economia cortando a taxa Selic – que influencia os juros em geral –, o consumidor que precisa de um empréstimo pessoal sente pouco alívio. Uma pesquisa do Procon-SP revelou que a taxa média do empréstimo pessoal em bancos subiu para 8,44% ao mês em abril, um aumento de 0,14 ponto percentual em relação a março. A menor taxa encontrada foi a do Safra (7,25%), mas o Banco do Brasil e o Bradesco aumentaram suas taxas, o que significa que o custo do crédito está, sim, subindo para o consumidor.
Por que a Selic cai, mas o juro do empréstimo sobe?
Essa aparente contradição tem uma explicação. Os bancos levam em conta diversos fatores ao definir as taxas de juros, como o risco de inadimplência (o famoso “calote”), os custos operacionais e a própria expectativa em relação à inflação. Se a inflação está subindo, como mostram os dados recentes, os bancos tendem a aumentar os juros para se protegerem da perda de poder de compra do dinheiro emprestado. É uma forma de se protegerem da perda do poder de compra.
Outro ponto importante é que a Selic é apenas uma referência para os juros da economia. Os bancos têm autonomia para definir suas próprias taxas, e a concorrência entre eles também influencia o preço final do crédito. Além disso, o spread bancário – a diferença entre o que o banco paga para captar o dinheiro e o que ele cobra ao emprestar – é um fator determinante no custo do crédito no Brasil.
Real valorizado: alívio passageiro?
Em meio a esse cenário de incertezas, o real tem surpreendido ao se manter valorizado em relação ao dólar, chegando a ser negociado abaixo de R$ 5,00, algo que não se via há dois anos. No entanto, o Banco Central não conta com essa valorização para atingir a meta de inflação. Segundo Nilton David, diretor de Política Monetária do BC, o desempenho recente da moeda brasileira é conjuntural e não deve ser considerado como um fator permanente. Em outras palavras, não dá para relaxar e achar que o real forte vai resolver todos os problemas da economia.
E agora, José? O que esperar da economia brasileira?
O momento é de cautela e atenção. A economia brasileira ainda enfrenta desafios importantes, como a inflação persistente e o alto endividamento das famílias. Se a inflação continuar a subir, o Banco Central pode ser obrigado a interromper o ciclo de corte da Selic, o que pode dificultar a retomada do crescimento econômico.
Para o consumidor, a dica é pesquisar e comparar as taxas de juros antes de contratar um empréstimo. O Procon-SP alerta para o uso do crédito pessoal apenas em casos de emergência ou para substituir dívidas com juros ainda maiores. Afinal, em tempos de inflação e juros incertos, o melhor é evitar compromissos financeiros desnecessários.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.