A educação superior brasileira ganha um novo capítulo com o investimento da +Educação na criação da APSY (Artmed School of Psychology). Com um aporte de R$ 45 milhões, a nova faculdade, que terá sede na Vila Olímipia, em São Paulo, tem previsão de início de operação para o primeiro semestre de 2027. O movimento sinaliza um aquecimento no setor e levanta questões sobre o custo e o acesso a formações de ponta.

Crescimento no Setor de Formação Especializada

A iniciativa da +Educação, dona da Artmed (editora e plataforma de educação), vai além da simples abertura de um novo campus. O investimento robusto cobre infraestrutura, tecnologia e conteúdo, com a meta de formar 75 alunos na graduação já no primeiro ano, com mensalidades em torno de R$ 6.700. A ambição é dobrar o número de ingressantes anualmente na graduação e alcançar 300 alunos na pós-graduação. Esse tipo de movimento, em que grandes grupos investem pesadamente em nichos de formação, é semelhante ao que vimos em 2021, quando a busca por especialização pós-pandemia impulsionou investimentos em áreas específicas. Agora, porém, a iniciativa parece ter um fôlego maior e mais estruturado.

O ponto de equilíbrio financeiro da APSY está projetado para o terceiro ano de atividade, o que indica uma estratégia de médio e longo prazo. Esse planejamento, para mim, é um sinal claro de que o mercado de educação superior, especialmente em áreas com alta demanda e potencial de retorno, está atraindo capital e apostas de longo prazo. A área da psicologia, em particular, tem se mostrado promissora, refletindo uma crescente preocupação com saúde mental e bem-estar na sociedade brasileira.

Diversidade e Inclusão no Ensino Superior: Um Debate Necessário

Apesar do entusiasmo com o investimento, o valor da mensalidade chama a atenção e reacende o debate sobre acessibilidade e diversidade na educação de elite. Com R$ 6.700 por mês, a formação se torna inacessível para a vasta maioria dos brasileiros. Em outros setores, também observamos dinâmicas que criam barreiras financeiras para o acesso, enquanto outros mercados voláteis e de pouca regulamentação prosperam em ritmos distintos. Enquanto alguns criam barreiras financeiras para o acesso, outros se beneficiam de mercados voláteis e de pouca regulamentação.

Esse cenário me faz pensar nas discussões sobre diversidade e inclusão que ganham força em outros cantos do mundo. Recentemente, nos Estados Unidos, bilionários que se mudam para fugir de impostos sobre fortuna na Califórnia enfrentam o escrutínio das autoridades, como relatado pelo Financial Times. Essa tensão entre quem pode pagar e quem não pode, entre quem tem privilégios e quem busca oportunidades, é um padrão que, de formas diferentes, se manifesta em diversas áreas da nossa sociedade, incluindo o acesso à educação de qualidade.

O Que Esperar do Mercado de Educação?

A aposta da +Educação na psicologia é mais um indicativo de um movimento de especialização que vem ganhando tração. Em minha leitura, empresas do setor educacional estão percebendo que atender a demandas específicas e oferecer formação de alto padrão pode ser mais lucrativo do que apostar em cursos generalistas. Isso pode, a longo prazo, gerar mais opções de qualidade para quem busca se aprofundar em determinadas áreas, mas a questão do custo continua sendo um ponto nevrálgico para a democratização do acesso.

Por outro lado, não podemos ignorar que o mercado de educação, como qualquer outro, é influenciado por tendências e pela capacidade de investimento. Quem acompanha o setor há algum tempo sabe que a busca por rentabilidade é constante. A abertura de novas faculdades com mensalidades elevadas, embora possa gerar bons resultados financeiros para as instituições, exige um olhar atento para não aprofundar as desigualdades já existentes. A sociedade precisa dessas formações, mas precisa que elas sejam acessíveis.

No fundo, é um ciclo: quando áreas como a psicologia ganham destaque, seja pela maior demanda por serviços ou pela percepção de potencial de carreira, o investimento tende a seguir. A grande pergunta é se esse investimento virá acompanhado de políticas que garantam que o conhecimento e as oportunidades geradas cheguem a todos, e não apenas a um grupo seleto.