O cenário econômico de 2026 já mostra sinais de que algumas das nossas maiores empresas estão navegando em águas mais tranquilas, pelo menos quando se trata de lucros. Nesta quarta-feira (07/05), o Bradesco divulgou um lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre do ano, um salto de 16,1% em comparação com o mesmo período de 2025. Já a Axia Energia (ELET3), que antes conhecíamos como Eletrobras, mostrou uma virada impressionante, revertendo um prejuízo e registrando um lucro líquido ajustado de R$ 3,7 bilhões.

Para o Bradesco, o bom desempenho foi puxado principalmente pelo crescimento na oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para empresas. O chamado 'spread' – a diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o que cobra para emprestar – aumentou, e o volume de empréstimos concedidos também subiu. A área de seguros do banco também contribuiu para esse resultado positivo. O presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, destacou que, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, com tensões internacionais, o banco soube gerenciar riscos e aproveitar oportunidades.

Pense nisso como se o banco tivesse atuado como um intermediário mais eficiente, facilitando o fluxo de dinheiro entre quem tem para emprestar e quem precisa emprestar, gerando mais lucro nesse processo. Para quem busca um financiamento para o carro, a casa ou para expandir o negócio, essa maior receita dos bancos pode, no futuro, se refletir em condições de crédito mais favoráveis, como taxas de juros menores ou prazos mais estendidos. No entanto, é importante lembrar que o cenário de crédito é complexo e depende de muitos outros fatores, como a política monetária do Banco Central.

Na mesma linha de recuperação, a Axia Energia, que passou por um processo de privatização e mudança de nome, apresentou um resultado que reverteu um prejuízo de R$ 80 milhões do ano anterior. Esse avanço é atribuído à melhoria nos resultados da venda de energia, a cortes de custos e a uma gestão financeira mais disciplinada. O presidente Ivan Monteiro ressaltou o foco na eficiência operacional e na execução da estratégia. Essa recuperação, embora focada no setor de energia, sinaliza um ambiente mais estável para a companhia, o que pode se traduzir em mais segurança para investimentos e, eventualmente, na melhoria de serviços ligados ao setor energético.

Outro nome que apresentou melhora foi a Guararapes, dona da Riachuelo. A empresa reverteu um prejuízo e alcançou um lucro líquido de R$ 5 milhões no primeiro trimestre. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 14,1%, e a receita líquida consolidada subiu 6,7%. Esses números indicam que, apesar do montante de lucro ser menor em comparação com os gigantes financeiros e de energia, a empresa do setor varejista demonstra uma recuperação em sua operação, o que é um bom sinal para o varejo em geral.

Em resumo, os balanços corporativos do primeiro trimestre de 2026 indicam um fôlego renovado para empresas de setores chave da nossa economia. Para o consumidor, isso pode significar, a longo prazo, um cenário mais propício para acesso a crédito, mais estabilidade no setor de energia e uma recuperação gradual no varejo. É um indicativo de que, apesar das incertezas globais, o ambiente de negócios interno está permitindo que algumas empresas apresentem resultados robustos.