Quem acompanha os bastidores da economia brasileira já sabe: o Ministério da Fazenda tem novo secretário-executivo. Rogério Ceron, que vinha comandando o Tesouro Nacional desde 2023, foi o escolhido pelo novo ministro, Dario Durigan, para assumir o cargo. Daniel Leal, até então subsecretário da dívida pública, assume o lugar de Ceron no Tesouro.

O que faz o secretário-executivo?

Para entender a importância da mudança, vale lembrar: o secretário-executivo é o braço direito do ministro. É ele quem coordena as ações das secretarias dentro da pasta, acompanha de perto a execução do orçamento e, em muitos casos, é o principal articulador com outros ministérios e com o Congresso Nacional. Pense nele como o maestro da orquestra, afinando os instrumentos para que a sinfonia (no caso, a política econômica) soe da melhor forma possível.

Continuidade com novos desafios

A escolha de Ceron, que já vinha trabalhando na equipe econômica desde o início do governo, aponta para uma continuidade na condução da política econômica. Ele foi um dos responsáveis pela elaboração do novo arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos e estabeleceu novas regras para o controle das contas públicas. Essa é uma das prioridades legislativas do governo, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

No entanto, a mudança ocorre em um momento delicado. A inflação, apesar de estar sob controle, ainda preocupa. Os juros altos, embora em processo de queda, continuam pesando no bolso do consumidor e das empresas. E o cenário internacional, com a guerra na Ucrânia e a instabilidade em outros países, traz incertezas para o crescimento da economia brasileira.

O que esperar para os próximos meses?

Com Ceron na secretaria-executiva, a expectativa é de que o governo continue buscando o equilíbrio entre o controle das contas públicas e o estímulo ao crescimento econômico. Isso significa, na prática, que o governo deve seguir atento à arrecadação, buscando formas de aumentar a receita sem aumentar a carga tributária sobre a população e as empresas. Ao mesmo tempo, deve buscar formas de destravar investimentos e incentivar a atividade econômica, principalmente nos setores que mais geram emprego, como a indústria.

Impacto no seu dia a dia

Mas, afinal, o que essa mudança significa para você, que está lendo essa matéria? Em resumo, a escolha de Ceron indica que o governo deve manter o foco em garantir a estabilidade da economia, o que é fundamental para controlar a inflação e manter o poder de compra da população. Se o governo conseguir manter as contas em ordem e a inflação sob controle, as chances de o Banco Central continuar reduzindo os juros aumentam, o que pode facilitar o acesso ao crédito e impulsionar o consumo.

Além disso, a continuidade na política econômica pode trazer mais previsibilidade para os investimentos, o que é fundamental para a geração de empregos e o crescimento da renda. Afinal, empresas tendem a investir mais quando confiam que as regras do jogo não vão mudar de uma hora para outra. Como Durigan afirmou em rede social, o trabalho de Ceron "foi fundamental para avançarmos com nossa agenda nos últimos anos".

Os desafios no Congresso

Um dos principais desafios de Ceron na nova função será a articulação com o Congresso Nacional. O governo precisa do apoio dos parlamentares para aprovar medidas importantes para a economia, como a regulamentação da reforma tributária. A relação entre o Executivo e o Legislativo, no entanto, nem sempre é fácil. Para garantir o apoio dos parlamentares, o governo precisa ceder em algumas demandas e negociar concessões.

E por falar em Congresso, vale lembrar que a reforma tributária ainda deve render muita discussão. A aprovação da legislação que vai regulamentar as novas regras do sistema tributário é considerada fundamental para destravar investimentos e simplificar a vida das empresas. Sem a reforma, o Brasil corre o risco de continuar perdendo competitividade para outros países, o que pode afetar o crescimento da economia e a geração de empregos.