As contas não fecham e a sensação de estar afundando em uma bola de neve de dívidas parece cada vez mais comum. Nesta segunda-feira (11/05/2026), o assunto que paira no ar para muitos brasileiros é o endividamento familiar, impulsionado em grande parte pelos juros altos e pela forma como o crédito funciona em nosso país.

Diante desse quadro, o governo anunciou o Novo Desenrola, uma iniciativa que busca dar um fôlego a quem está com o nome sujo. A ideia é clara: oferecer uma nova chance de renegociar débitos, muitas vezes com descontos expressivos, visando diminuir a pressão sobre o orçamento de famílias com renda de até cinco salários mínimos (cerca de R$ 8.105).

Mas, para entender a dimensão desse problema, é preciso olhar para os números. Economistas apontam que a taxa básica de juros, a Selic, continua elevada. Para piorar, o spread bancário – a diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram nos empréstimos – está nas alturas. No Brasil, essa margem chegou a 34,6 pontos percentuais em março, um valor que salta aos olhos quando comparado à média mundial, que gira em torno de 6 pontos percentuais.

“Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem uma relação direta, sem dúvida nenhuma, com o endividamento das pessoas, o que tem dificultado muito a economia a funcionar”, explica Maria Lourdes Mollo, professora de economia da Universidade de Brasília (UnB). Em outras palavras, quanto mais alta a Selic, mais caro fica o dinheiro emprestado para a gente.

A falta de pagamento de dívidas se transforma em inadimplência quando o valor devido, acrescido dos juros, ultrapassa a capacidade de quem contratou o crédito. Como mostrou o G1, essa situação pode vir de imprevistos, queda de renda ou simplesmente de prazos curtos e juros abusivos que transformam um pequeno débito em uma montanha impossível de escalar. E quando a inadimplência aumenta, o crédito para todos tende a ficar mais caro e a economia como um todo sofre, dificultando a criação de novas vagas de emprego.

O Novo Desenrola, por mais que seja um alento, não resolve todos os problemas de uma vez. Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo alertam que, se o programa for visto como a única solução, o risco de as famílias voltarem a se endividar é grande. A falta de uma reorganização financeira mais profunda e a continuação da dependência do crédito para cobrir despesas básicas do dia a dia podem fazer com que o barco furado da dívida continue a afundar.

Pense assim: renegociar uma dívida sem mudar os hábitos que levaram ao endividamento é como tentar consertar um vazamento em um barco remando com um balde furado. A água entra igual, e o problema volta a aparecer. O programa oferece uma chance de limpar o nome, mas é fundamental que os consumidores aproveitem essa oportunidade para reavaliar suas finacas, planejar melhor seus gastos e evitar cair novamente na armadilha do crédito fácil e caro.

A renegociação é um passo importante, mas a verdadeira solução para o endividamento familiar passa por entender como a economia funciona e como nossas escolhas financeiras impactam o nosso dia a dia. Com juros altos e spreads bancários que parecem não dar trégua, a educação financeira e o planejamento se tornam ferramentas ainda mais valiosas para garantir um futuro mais tranquilo, longe da angústia das dívidas.