A previsão é de colheita farta nos campos de soja, e isso é uma ótima notícia para o Brasil. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estima que, em 2026, o país deve exportar um volume recorde de 113,6 milhões de toneladas. É soja que não acaba mais! Mas, como nem tudo são flores, essa abundância também escancara um velho problema: a nossa infraestrutura, que muitas vezes não acompanha o ritmo do crescimento do agronegócio.

Safra recorde à vista

A Abiove aumentou a projeção em relação ao mês anterior, e a expectativa é que a safra 2025/26 atinja 177,85 milhões de toneladas, um aumento de 3,7% em relação ao ciclo anterior. Segundo a associação, esse crescimento se deve à expansão das áreas plantadas e às condições climáticas favoráveis. Isso coloca o Brasil, de vez, na liderança mundial da produção e exportação de soja.

Mas, com mais produto para escoar, os desafios logísticos se tornam ainda mais evidentes. Imagine que você tem uma mangueira potente, mas a torneira é pequena: não adianta ter pressão se a vazão é limitada. No caso da soja, a produção está a todo vapor, mas a infraestrutura precisa correr para não virar um gargalo.

Infraestrutura: o calcanhar de Aquiles

O Brasil, celeiro do mundo, precisa de estradas decentes, ferrovias eficientes e portos modernos para fazer jus a essa vocação. E é aí que a porca torce o rabo. A falta de investimentos em infraestrutura é um problema crônico que afeta a competitividade do agronegócio brasileiro.

Um exemplo clássico é o acesso ao Porto de Santos, o maior da América Latina. A fila de caminhões que se forma nas estradas de acesso é quilométrica, gerando atrasos, custos adicionais e dor de cabeça para os produtores. A tão sonhada ligação seca entre Santos e Guarujá, que promete desafogar o trânsito e agilizar o transporte de cargas, ainda não saiu do papel, e já virou uma novela.

Santos-Guarujá: uma novela sem fim?

A construção de um túnel ou ponte ligando Santos e Guarujá é discutida há décadas. O projeto enfrenta entraves burocráticos, ambientais e, claro, falta de recursos. A expectativa é que a obra reduza significativamente o tempo de deslocamento entre as duas cidades, facilitando o acesso ao porto e impulsionando o comércio exterior.

Enquanto isso não acontece, os caminhoneiros continuam enfrentando longas filas, e os custos de transporte permanecem elevados. É como se o Brasil estivesse correndo uma maratona com um peso nas costas. A gente tem potencial para vencer, mas a falta de infraestrutura nos impede de alcançar o melhor resultado.

O que isso significa para o seu bolso?

Afinal, o que a safra recorde de soja e os problemas de infraestrutura têm a ver com você? Tudo! Se o Brasil não consegue escoar a produção de forma eficiente, os custos aumentam, e isso se reflete nos preços dos alimentos que chegam à sua mesa. Além disso, a falta de competitividade do agronegócio brasileiro pode afetar a geração de empregos e a renda da população.

Uma logística mais eficiente, por outro lado, poderia baratear os produtos, aumentar a oferta de empregos e impulsionar o crescimento econômico. É um ciclo virtuoso que beneficia a todos. Por isso, é fundamental que o governo e o setor privado invistam em infraestrutura, para que o Brasil possa aproveitar todo o potencial do seu agronegócio.

Em resumo: a safra de soja promete ser um sucesso, mas a infraestrutura precisa acompanhar o ritmo. Caso contrário, corremos o risco de ver parte dessa riqueza se perder pelo caminho. E quem paga a conta, no fim das contas, é você.