O comércio brasileiro tem motivos para comemorar – e para ficar de olho no retrovisor. Em fevereiro, as vendas no varejo renovaram o recorde da série histórica, iniciada lá em 2000. É como se o setor estivesse colhendo os frutos de um longo período de crescimento. Mas, a animação não é total: o ritmo da festa diminuiu, e o crescimento ficou abaixo do que os especialistas esperavam.

O que dizem os números?

Segundo dados do IBGE, as vendas no varejo cresceram 0,6% em fevereiro em relação a janeiro. Um resultado positivo, sim, mas menor do que a alta de 1% projetada pelo mercado. Na comparação com fevereiro do ano passado, o aumento foi ainda mais tímido: 0,2%, também abaixo da expectativa de 1,2%.

Quatro das oito atividades pesquisadas mostraram crescimento, com destaque para:

  • Livros, jornais, revistas e papelaria (2,4%)
  • Combustíveis e lubrificantes (1,7%)
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,1%)
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,3%)

Por outro lado, alguns setores sentiram o freio:

  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,7%)
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%)
  • Tecidos, vestuário e calçados (-0,3%)
  • Móveis e eletrodomésticos (-0,1%)

Por que o ritmo diminuiu?

Apesar dos juros ainda estarem nas alturas, o mercado de trabalho aquecido tem ajudado a segurar as pontas, garantindo uma renda extra para muitas famílias. Além disso, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil também deu um empurrãozinho no consumo no início do ano.

Mas, como nem tudo são flores, o aumento da inflação, especialmente nos preços de alimentos e transportes, já começa a pesar no bolso do brasileiro. Em março, o IPCA avançou 0,88%, a maior taxa em cerca de um ano, como destaca o Money Times.

A alta do dólar também pode influenciar. Se o real se desvaloriza, produtos importados ficam mais caros, e a pressão inflacionária aumenta. E não podemos esquecer que o cenário internacional anda turbulento, com conflitos impactando os preços de diversas commodities.

O que esperar para os próximos meses?

Ainda é cedo para cravar o futuro, mas a expectativa é de que o varejo perca um pouco de força ao longo do ano. Como apontou a Folha de S.Paulo, essa desaceleração pode impactar a atividade econômica como um todo. Se o varejo não vai bem, a indústria e o setor de serviços também sentem o baque.

Economistas do mercado financeiro ouvidos pela Reuters avaliam que o Banco Central deve manter a Selic em patamar elevado por mais tempo, justamente para conter a inflação. Se a Selic sobe, o crédito se torna mais caro, como se a torneira do dinheiro estivesse sendo fechada.

E o que isso significa para você?

Na prática, a desaceleração do varejo pode significar:

  • Menos promoções e descontos nas lojas
  • Dificuldade em conseguir crédito para comprar bens duráveis, como eletrodomésticos
  • Pressão para que os salários acompanhem a inflação, para não perder poder de compra

Ou seja, é hora de planejar os gastos com mais cuidado e pesquisar bastante antes de fazer qualquer compra. Afinal, em tempos de incerteza, a palavra de ordem é economizar.