Neste pregão de quinta-feira (02/07/2026), o mercado de ações brasileiro mostra mais uma vez como setores que parecem irmãos podem trilhar caminhos completamente opostos. As ações da Usiminas (USIM5) fecharam o primeiro semestre com um salto de 42,02%, impulsionadas por um primeiro trimestre de 2026 com resultados positivos e um cenário favorável. Em contraste, a CSN (CSNA3) liderou as baixas do Ibovespa no mesmo período, registrando uma queda de 48,21%.
O setor siderúrgico como um todo já vinha sendo impactado negativamente por uma demanda chinesa enfraquecida, o que por si só já não era um cenário dos mais animadores. No entanto, para a CSN, a situação se agravou com sua elevada alavancagem, um ponto de atenção que vem pressionando a cotação de seus papéis. Essa é uma dinâmica que já vimos em outros momentos do mercado brasileiro: empresas com estruturas de dívida mais frágeis tendem a sofrer mais quando o cenário externo não colabora. Em 2022, por exemplo, companhias mais endividadas sentiram o impacto da alta da Selic de forma mais acentuada.
O que chama a atenção na virada do primeiro semestre é a performance contrastante entre essas duas gigantes do aço. Na minha leitura, o caso da Usiminas é um exemplo claro de como fundamentos sólidos e um timing favorável podem transformar o desempenho de uma ação. O resultado positivo apresentado no primeiro trimestre de 2026, combinado com uma série de outros fatores, criaram um cenário extremamente favorável para a ação. É a velha máxima do investimento: resultados importam, e quando vêm em um momento de mercado mais receptivo, o efeito é amplificado.
Enquanto isso, o cenário para a CSN, segundo analistas ouvidos pelo Money Times, foi de grande instabilidade, exacerbada por fatores que pareciam menores. O fator da taxa de 50% sobre aço e alumínio imposta pelos Estados Unidos no início de 2026 certamente pesou, mas a alavancagem da empresa é um calcanhar de Aquiles que não pode ser ignorado. As ações da CSN operam agora a R$ 4,59, com uma queda de 0,65% no dia, mas acumulam uma desvalorização de 29,92% somente neste mês de julho e quase 48% no ano. Já a Usiminas, a R$ 8,60, exibe uma alta de 1,78% hoje e uma valorização de 43,81% no ano, com um impressionante ganho de 109,76% nos últimos 12 meses.
Esses movimentos no setor siderúrgico se desenrolam em um contexto mais amplo de busca por segurança por parte dos investidores. Em julho, o BTG Pactual, por exemplo, revisou sua carteira de ações recomendadas, adotando uma postura mais conservadora. A entrada da Ambev (ABEV3) em detrimento de Localiza (RENT3) e Equatorial (EQTL3) reflete uma preocupação com o cenário macroeconômico mais desafiador, com inflação persistente acima da meta, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos e a expansão dos gastos públicos às vésperas das eleições presidenciais em outubro. Essa busca por empresas mais resilientes, como a Ambev, que oferece um dividend yield de 5,27%, é uma estratégia para navegar em águas turbulentas.
Olhando para o futuro, o comportamento dessas ações e do setor siderúrgico em geral será crucial para entender as perspectivas econômicas para os próximos meses. A forma como a China lidará com sua demanda, as decisões do Banco Central em relação à política monetária e a evolução dos gastos públicos no Brasil continuarão a ditar o ritmo do mercado. Para quem investe, manter o foco em estratégias de investimento de longo prazo e diversificar em setores defensivos pode ser o caminho para proteger o portfólio.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.