O pregão do dia 1º de julho de 2026 se encerrou e, como é praxe, o mercado já começa a olhar para frente. No radar dos investidores, a divulgação das carteiras recomendadas para o mês que se inicia é um dos pontos mais quentes. E, como um verdadeiro leque de opiniões, os analistas de casas como XP Investimentos, BTG Pactual e Empiricus Research traçam seus cenários, com alguns nomes aparecendo com frequência, e outros ganhando ou perdendo espaço.
A XP Investimentos, por exemplo, apesar de ter cortado o preço-alvo para o Ibovespa de 205 mil para 200 mil pontos – um reflexo da alta recente das taxas reais de longo prazo no Brasil –, mantém uma visão construtiva para as ações brasileiras. Na minha leitura, o principal argumento aqui reside em dois pilares: o valuation atrativo da bolsa e um indicador proprietário de sentimento que aponta para um pessimismo extremo. Quando o mercado está nesse nível de receio, às vezes é um bom sinal para quem busca oportunidades em meio à desvalorização.
Já o BTG Pactual optou por ajustes mais pontuais em sua carteira. A saída de Localiza (RENT3) e Equatorial (EQTL3) dá espaço para a volta de um nome conhecido: a Ambev (ABEV3). Os analistas do banco destacam a posição defensiva da gigante de bebidas, com balanço sólido, negócio resiliente e um dividend yield atrativo de 7,5%. É interessante notar essa volta da Ambev, algo que não víamos com tanta frequência recentemente. Na minha visão, isso sinaliza uma busca por empresas com maior previsibilidade em meio a um cenário macro ainda incerto. Lembra quando as commodities estavam bombando e as defensivas ficavam de lado? Parece que essa dinâmica está se invertendo um pouco.
A Empiricus Research, por sua vez, foca em dividendos e traz uma novidade em sua carteira de julho: a Cyrela (CYRE3) entra no lugar da Direcional (DIRR3). A justificativa é buscar um nome com um pouco mais de exposição a uma possível melhora do sentimento macroeconômico. A carteira da Empiricus segue com nomes como Axia (AXIA3), B3 (B3SA3), Itaú (ITUB4), Multiplan (MULT3), Petrobras (PETR4), Telefônica Brasil (VIVT3) e Vale (VALE3). A casa ressalta que, mesmo com um valuation atrativo, o ambiente macro segue desafiador, priorizando empresas sólidas, geradoras de caixa e com bons dividendos.
Olhando para esses movimentos, percebe-se uma linha tênue entre a busca por crescimento e a necessidade de se proteger em um cenário de juros ainda elevados e volatilidade internacional. A Petrobras (PETR4), por exemplo, figura em duas das três carteiras mencionadas, refletindo seu peso e a atratividade de seu dividend yield. Apesar de uma leve queda de 0,03% hoje, a ação acumula uma valorização de quase 27% no ano, com um dividend yield de 7,91% – um número que chama a atenção em qualquer cenário. A manutenção de uma visão construtiva sobre a gigante estatal, mesmo com as incertezas geopolíticas no Oriente Médio, sugere que os analistas enxergam um potencial de sustentação nos preços do petróleo e, consequentemente, nos resultados da companhia. Nossa apuração no The Brazil News já tem mostrado o impacto das tensões globais no setor energético, e as carteiras parecem precificar essa continuidade.
Os bancos também aparecem como um tema relevante. Enquanto a XP mantém o Itaú (ITUB4) em sua carteira, o Itaú BBA, em sua análise para o segundo semestre, aponta que Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) tiveram um primeiro semestre morno, com queda nas ações e receios em relação à inadimplência. No entanto, para o Itaú BBA, algumas empresas do setor ainda podem se sair bem, sugerindo que a diversificação dentro do próprio setor financeiro é crucial.
Por fim, a volatilidade no cenário global, com a perda de força do chamado "trade de IA", pode levar a uma realocação de capital estrangeiro para o Brasil. Essa é a aposta da XP, e pode ser o fio condutor para um segundo semestre mais animador para a bolsa brasileira. Resta saber se essa movimentação será suficiente para superar os desafios internos e externos que ainda se apresentam.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.