As bolsas asiáticas iniciaram a semana com um fôlego que fez Tóquio e Seul atingirem patamares recordes. O cenário internacional é impulsionado por sinais de avanço no diálogo entre Estados Unidos e Irã, um alívio que afeta diretamente o preço do petróleo Brent e, por consequência, a expectativa para mercados globais. O entusiasmo com a inteligência artificial também segue aquecendo o setor de tecnologia, com empresas como SoftBank e SK Hynix apresentando fortes altas.
No Brasil, o dia é de atenção redobrada ao Relatório Focus, divulgado nesta manhã, que traz as projeções de economistas para os principais indicadores da economia. Essa leitura, em conjunto com os dados de PMIs industriais e de serviços do Japão, serve de termômetro para os investidores que buscam entender a direção que os mercados vão tomar.
O ponto nevrálgico do nosso mercado, contudo, parece estar voltando a ser a questão fiscal. Quem acompanha o Banco Central há tempos sabe que o comunicado pós-Copom da semana passada, quando a Selic foi cortada para 14,25% ao ano, já dava sinais claros. A menção à necessidade de monitorar os impactos da política fiscal na condução dos juros e os “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo” não foi casual. Na minha leitura, o BC quer deixar claro que a austeridade nas contas públicas é condição para um ciclo de afrouxamento monetário sustentável. Não é a primeira vez que vemos essa dinâmica se desenrolar – em 2022, a preocupação com o fiscal já havia levado a um aperto na política monetária que surpreendeu parte do mercado.
É natural que, com a Selic ainda em patamares elevados por mais tempo do que se esperava, a preocupação com a saúde financeira das empresas brasileiras volte à tona. A XP Investimentos, em análise recente, destacou que, embora a maioria das companhias na B3 apresente métricas de endividamento saudáveis, há uma dispersão relevante em alguns setores. Isso reforça o que venho dizendo nas minhas coberturas: mesmo em um cenário desafiador, existem oportunidades, mas a seleção criteriosa é fundamental. Empresas com balanços sólidos, como Gerdau (GGBR4), que tem apresentado boa performance nos últimos 12 meses, tendem a navegar melhor em ciclos de juros altos. Por outro lado, vemos a Braskem (BRKM5) em um movimento de queda mais acentuada no mês, o que demonstra a volatilidade e a necessidade de acompanhar de perto.
É interessante notar como eventos geopolíticos distantes, como a tensão entre EUA e Irã, que pode impactar o Estreito de Ormuz e o fluxo de petróleo, criam uma onda de reações que chega até a nossa bolsa. Embora o Brasil não seja um player direto nesse conflito, o impacto nos preços das commodities e na confiança global reverbera em todos os mercados. Esse tipo de evento é um lembrete de que, no mercado financeiro, estamos todos conectados, como um grande organismo onde um resfriado em uma ponta pode causar febre em outra.
Olhando para frente, o que veremos nesta semana são os desdobramentos desses debates sobre a política fiscal e a reação do mercado aos dados econômicos. A volatilidade que vimos em fundos imobiliários, como o Ourinvest JPP (OUJP11) que disparou e depois corrigiu forte, é um sinal claro de que, mesmo em nichos aparentemente mais estáveis, os movimentos bruscos podem acontecer. Para o investidor, o recado é um só: mantenha o radar ligado e a carteira bem equilibrada.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.