Na B3 desta quinta-feira (14/05/2026), as ações do Banco do Brasil (BBAS3) estão no centro das atenções, e não pelos melhores motivos. O balanço do primeiro trimestre de 2026, divulgado na noite de ontem, trouxe um cenário de queda acentuada no lucro líquido, que recuou 53,5% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 3,4 bilhões. Essa performance, que também veio ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, fez os papéis iniciarem o pregão em forte queda, chegando a tombar mais de 4%.

O xis da questão parece estar concentrado no aumento das provisões para créditos de liquidação duvidosa, impulsionado principalmente pela carteira de agronegócio. A presidente-executiva do banco, Tarciana Medeiros, reconheceu que o resultado reflete um ambiente mais desafiador para o risco de crédito. É como se o banco precisasse separar uma reserva extra para cobrir possíveis calotes em empréstimos, especialmente para os produtores rurais.

Causa da Queda: Provisões e Agronegócio

O Agronegócio Sob Pressão

A inadimplência acima de 90 dias no banco estatal subiu para 5,05% ao final de março, um salto considerável em relação aos 3,63% de um ano atrás. Este aumento não surgiu do nada; ele é um reflexo das incertezas e desafios trazidos pelo ambiente geopolítico, como comentou o CFO da companhia, Geovanne Tobias. Ele admitiu que há mais incertezas agora do que no início do ano, e que o cenário político já impactou a economia.

Apesar disso, o banco sinaliza que não vai reduzir sua exposição ao agronegócio. "Banco do Brasil (BBAS3) permanecerá ao lado dos produtores rurais", afirmou o CFO, em uma mensagem de apoio a um setor crucial para a economia brasileira. Essa postura, embora pareça nobre, adiciona uma camada de risco, pois o banco parece apostar na recuperação desse segmento, mesmo diante das dificuldades.

Revisão de Projeções e Rentabilidade

O Guidance e a Revisão de Projeções

Outro ponto que pesou sobre as ações foi o corte no guidance, as projeções futuras do banco para 2026. A administração revisou para baixo algumas linhas, incluindo o lucro líquido e o custo de crédito. Isso significa que o banco está sendo mais cauteloso nas suas estimativas para o restante do ano. Para o investidor, isso pode significar uma rentabilidade menor do que o inicialmente esperado.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) anualizado, um indicador chave da rentabilidade de um banco, caiu para cerca de 6,4%, bem distante dos 14,1% registrados no primeiro trimestre de 2025. É uma queda brusca que precisa ser considerada na hora de avaliar o desempenho do banco.

Tentativas de Recuperação no Pregão

A Virada Esperada?

Apesar do cenário inicial pouco animador, os executivos do Banco do Brasil tentam pintar um quadro de recuperação. Geovanne Tobias afirmou que, embora o lucro no período tenha vindo aquém do esperado, "tudo estaria funcionando conforme planejado" e o momento agora seria de geração de negócios. A teleconferência com analistas, que se encerrou pouco antes das 10h40, parece ter surtido algum efeito: as ações, que abriram em queda, chegaram a zerar as perdas no pregão de hoje, operando até mesmo em leve alta por volta das 11h13, a R$ 20,80. A administração ainda participa de uma coletiva de imprensa nesta manhã, o que pode trazer mais clareza sobre os planos futuros.

O que os investidores precisam ficar atentos é se essa retomada na geração de negócios será suficiente para compensar os maiores custos com provisões e as incertezas macroeconômicas. O desempenho do BBAS3 neste pregão, com essa recuperação após a queda inicial, mostra que o mercado ainda está digerindo as informações e buscando um norte. É uma daquelas situações em que o banco tenta uma manobra ousada para se recuperar, mas precisa ter certeza de que a execução será bem-sucedida. Para o investidor, a diversificação e a cautela continuam sendo as melhores companhias.