O primeiro semestre de 2026 para os grandes bancos brasileiros foi, digamos, decepcionante. Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) viram suas ações tombarem, com investidores fazendo as malas e saindo do Brasil, e a preocupação com a inadimplência batendo à porta. Segundo o Itaú BBA, o cenário para o terceiro trimestre não traz grandes otimismos.

Mas nem tudo é mar revolto para todas as instituições. Os analistas do Itaú BBA, em relatório divulgado nesta quarta-feira (1º), apontam que algumas empresas do setor ainda têm fôlego para um desempenho razoável, mesmo com as turbulências. E entre as instituições com projeções favoráveis para enfrentar este cenário turbulento, Bradesco e Nubank aparecem com recomendação de compra e projeções de lucros robustos. É um alívio para quem tem BBDC4 na carteira, que, aliás, vem mostrando uma recuperação de 3,08% no mês, apesar da queda de 0,44% nos negócios de hoje, negociando a R$ 18,02.

Do outro lado da moeda, a cautela impera para Banco do Brasil e Santander Brasil. A queda na margem ajustada ao risco continua sendo um desafio difícil de superar, e os resultados recentes dessas instituições não animam o mercado. O BBAS3, por exemplo, já acumula uma desvalorização de 0,10% no dia e 6,60% no ano, negociando a R$ 19,89. O Santander, embora com leve alta no mês, também sente o peso da conjuntura, com SANB11 em queda de 0,07% no pregão atual.

Mas o grande favorito da vez, o queridinho absoluto, é o BTG Pactual (BPAC11). O motivo é simples, e quem acompanha o mercado financeiro de perto já percebeu o movimento. Na minha leitura, o banco tem conseguido se diferenciar pela sua estratégia diversificada e foco em nichos rentáveis. O BTG Pactual, aliás, também divulgou suas apostas para o mercado de swing trade, incluindo A1MDC34 (AMD), MBRF3 e WEGE3, com potencial de valorização entre 14% e 18% no curto prazo, segundo sua análise técnica. É um sinal claro de que a casa está arrumada por lá.

Olhando para um cenário mais amplo, o Brasil continua sendo o país das oportunidades para o Goldman Sachs na América Latina. Estrategistas do banco americano reforçaram a recomendação “overweight” para o mercado brasileiro em seus portfólios de mercados emergentes. A avaliação é que as ações brasileiras estão baratas, negociadas a cerca de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses (P/L futuro), especialmente quando comparadas às taxas de juros de longo prazo e ciclos anteriores de queda de juros. Esse cenário, aliás, me lembra um pouco o que vimos em meados de 2023, quando a perspectiva de juros em queda começou a impulsionar fortemente a bolsa antes mesmo do primeiro corte efetivo da Selic. A busca por risco em mercados emergentes pode ser um motor importante, mas a proximidade das eleições e a volatilidade inerente ao período eleitoral são pontos a serem monitorados de perto.

E para quem olha para o setor de commodities, uma notícia vinda diretamente da Petrobras. A presidente-executiva, Magda Chambriard, afirmou que o preço do barril do petróleo parece ter se estabelecido em um novo patamar entre US$ 72 e US$ 75. Essa afirmação, feita em meio às incertezas da guerra no Oriente Médio, traz um pouco mais de previsibilidade para o setor. Segundo Chambriard, a recente redução do preço do diesel pela estatal já reflete essa cotação mais amena do petróleo Brent. Para nós, investidores, isso pode significar uma margem de manobra um pouco maior para as empresas, mas o fantasma da guerra sempre pode mudar o quadro rapidamente.

O que tudo isso muda para o seu bolso? Bem, a divergência entre os bancos é gritante. Enquanto alguns apresentam quedas expressivas, outros registram valorização. Para quem investe em ações, a análise detalhada de cada instituição, seus fundamentos e o cenário macroeconômico é crucial. A recomendação de compra para Bradesco e BTG Pactual, por exemplo, sugere que há espaço para ganhos, mas é fundamental lembrar que nenhum investimento é isento de riscos. O fator eleitoral também paira no ar, e qualquer sinalização política pode mexer com o mercado nos próximos dias.

Pra mim, o sinal mais forte aqui é que o mercado está se tornando mais seletivo. A época de “comprar tudo e esperar subir” ficou para trás. Agora, é preciso escolher a dedo os ativos com fundamentos sólidos e que apresentem diferenciais claros. O cenário de juros ainda em patamares elevados, mesmo com expectativas de queda, continua exigindo cautela e uma boa dose de análise técnica para identificar pontos de entrada e saída estratégicos.