O mês de junho chega com a B3 funcionando a todo vapor, mas com um cenário que exige atenção redobrada do investidor. Cenários macroeconômicos mais desafiadores e correções recentes no mercado levaram grandes casas de análise a repensarem suas carteiras recomendadas. A pergunta que não quer calar é: onde está o dinheiro que pode render mais nos próximos meses?

BTG Pactual: Qualidade e Defesa em Foco

O BTG Pactual, por exemplo, promoveu ajustes significativos em sua carteira para junho. A principal movimentação foi no setor financeiro: o Nubank (ROXO34) saiu, e o Itaú Unibanco (ITUB4) retorna com peso de 15%. Para os estrategistas do banco, a preferência é por instituições mais sólidas em um ambiente de crédito mais restritivo. O Itaú Unibanco (ITUB4) é visto como um combo de qualidade de ativos, gestão de risco apurada e um valuation atrativo, especialmente após a recente desvalorização de suas ações.

Outra mudança que merece destaque é a troca de Allos (ALOS3) por Equatorial (EQTL3). Essa alteração sinaliza um reforço na exposição a empresas de utilidade pública, consideradas mais resilientes em tempos de incerteza. A Equatorial volta ao radar com a promessa de fluxo de caixa previsível, uma boa proteção contra a inflação e retornos que parecem promissores.

BB Investimentos: Um Toque Industrial e Tático

O BB Investimentos também mexeu nas suas apostas para junho, buscando uma abordagem tática em meio a um mercado mais seletivo. A grande novidade é a saída do Bradesco (BBDC4) e a entrada da Embraer (EMBR3). Essa manobra visa reduzir a exposição ao setor financeiro, que, apesar de avanços recentes, já pode ter precificado grande parte das melhorias operacionais e controle de inadimplência.

A Embraer, por outro lado, surge como uma aposta com potencial de retorno maior e mais incerto no curto e médio prazo. A companhia vive um momento de crescimento em suas receitas e um aumento robusto em sua carteira de pedidos. Mesmo com os desafios pontuais de custos, o BB Investimentos enxerga uma oportunidade de entrada após a recente queda das ações, avaliando que esses impactos são passageiros.

Empiricus: Olho nos Dividendos

Para quem busca renda passiva e dividendos no bolso, a Empiricus traz uma novidade em sua carteira focada nesse objetivo. A principal alteração foi a saída da Porto Seguro (PSSA3) para a entrada da construtora Direcional (DIRR3). A estratégia busca potencializar os retornos sem abrir mão da previsibilidade na geração de caixa.

Essa movimentação ocorre após um maio de desempenho não tão animador para a carteira de dividendos da casa, que recuou 8,1% (ligeiramente abaixo do Ibovespa). No entanto, no acumulado de 2026, o portfólio segue na frente do índice. A Direcional surge como uma alternativa promissora para quem quer ver os proventos pingando na conta.

Lojas Renner: Vento a Favor nas Projeções

Falando em dividendos, as Lojas Renner (LREN3) também ganharam um voto de confiança do mercado. O Itaú BBA elevou a recomendação para a varejista de neutro para compra, impulsionado pelos resultados do primeiro trimestre de 2026 e projeções otimistas para os próximos anos. O preço-alvo foi ajustado de R$ 16 para R$ 18 por ação, representando um potencial de valorização de cerca de 21%.

As novas estimativas indicam um retorno total aos acionistas (TSR) de aproximadamente 16% ao ano para os próximos três anos. Se a ação negociar no múltiplo-alvo do banco (11x lucro), esse retorno pode chegar a 22% anuais. O banco projeta um dividend yield de cerca de 10% para 2026, com um payout de 100% dos lucros. As projeções de lucro líquido também foram revistas para cima, em +4% para 2026 e 2027, reforçando a confiança na gestão e no desempenho da divisão de vestuário.

É um cenário de escolhas e ajustes. Analisar as mudanças nas carteiras recomendadas é uma forma inteligente de entender o que os grandes players do mercado estão enxergando. Lembre-se, contudo, que a decisão final sobre onde investir é sempre sua. Faça sua própria análise e veja qual estratégia se encaixa melhor nos seus objetivos!