O Ibovespa começou a semana com o pé esquerdo, marcando mais um pregão em queda. Enquanto isso, o dólar mostrou fôlego, mas em sentido oposto, engatando uma baixa significativa e voltando a ser negociado abaixo dos R$ 5. O dia foi uma mistura de alívio com cautela, um coquetel que sempre mexe com os nervos de quem investe no Brasil.

Ibovespa patinando

O principal índice da nossa bolsa, o Ibovespa, fechou esta segunda-feira (18) em queda de 0,17%, atingindo os 176.975,82 pontos. Foram 308,01 pontos que se evaporaram em um pregão marcado pela performance de empresas consideradas “peso-pesado” para o índice. A Vale (VALE3), por exemplo, sentiu o impacto do preço do petróleo em queda (na casa dos US$ 112), e os bancos também não engrenaram, contribuindo para o tom negativo.

Olhando para trás, a cena se repete: nas últimas oito sessões, o Ibovespa só conseguiu emplacar duas altas. É como se o mercado estivesse em compasso de espera, aguardando um catalisador mais forte para sair do lugar. A cautela com o cenário internacional, especialmente as tensões no Oriente Médio, pairou sobre os investidores, que preferiram não se arriscar demais.

Dólar se acalmando: o que mudou?

Por outro lado, o dólar comercial teve um dia para esquecer, mas para quem buscava um respiro na moeda americana, foi um alívio e tanto. A divisa encerrou o dia em queda firme de 1,37%, cotada a R$ 4,9985. Essa é a segunda vez que o dólar fecha abaixo dos R$ 5 este ano, um patamar que funciona como um termômetro para a confiança dos investidores no cenário econômico e político brasileiro.

A grande estrela por trás dessa queda foi o anúncio do adiamento de um ataque militar dos Estados Unidos contra o Irã. Essa notícia, como uma maré que se retrai, trouxe um certo alívio no front geopolítico global. Quando o cenário externo fica menos tenso, o apetite por risco de investidores em mercados emergentes, como o Brasil, tende a aumentar. Afinal, quem quer apostar em ativos mais voláteis quando há risco de conflito iminente?

Como resultado, o real ganhou força não apenas contra o dólar, mas também frente a outras moedas de países em desenvolvimento, mostrando um movimento sincronizado no universo emergente. O dólar futuro para junho também acompanhou a tendência, cedendo terreno na B3.

O que o IBC-Br disse sobre a economia?

Para temperar o dia, os investidores também deram uma olhada no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Os dados mostraram que a atividade econômica do Brasil recuou 0,7% em março em relação a fevereiro, ajustado sazonalmente. Essa queda foi um pouco mais acentuada do que o mercado esperava, que previa uma retração de 0,2%. Foi a primeira queda mensal desde setembro do ano passado, o que pode ser um sinal de alerta para o ritmo da recuperação econômica.

Apesar do recuo pontual, o IBC-Br acumulou uma alta de 1,3% no primeiro trimestre do ano. O IBC-Br é um indicador antecedente do que veremos no Produto Interno Bruto (PIB) oficial, que será divulgado em breve. A leitura de que a economia pode ter desacelerado em março levanta questões sobre o ritmo do crescimento que o país conseguirá entregar no curto prazo.

Um olho no exterior, outro nos fundamentos

Analistas já vinham apontando que o real entra no segundo semestre de 2026 em uma posição relativamente confortável no cenário emergente, impulsionado por fundamentos sólidos e um ambiente global que tende a favorecer moedas de países em desenvolvimento. A moeda brasileira, segundo a análise do Morgan Stanley, tem espaço para se valorizar nos próximos meses, principalmente através do “carry trade” – o ganho obtido ao carregar posições em moedas e títulos locais em busca de juros mais altos.

No entanto, o país ainda esbarra em alguns tetos importantes: o risco fiscal e a incerteza em torno das eleições de 2026 continuam sendo vetores que podem frear um rali mais consistente do real. É como ter um carro potente, mas com o freio de mão um pouco puxado. Para o investidor, isso significa que, embora o cenário externo mais calmo tenha trazido um fôlego bem-vindo, as questões internas continuam sendo um fator crucial a ser monitorado. A busca por rendimentos em dólar ou em ativos internacionais pode continuar sendo uma estratégia relevante para proteger o patrimônio, mas é fundamental estar atento às oportunidades que surgem em solo brasileiro quando o cenário se mostra mais favorável.