O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (24) no vermelho, com um recuo de 0,44%, atingindo os 170.506,66 pontos. O principal índice da B3 sentiu o peso das ações ligadas a commodities, especialmente Petrobras e Vale, que acompanharam a desvalorização do petróleo no mercado internacional. O giro financeiro da sessão foi de R$ 27,2 bilhões.
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) foram as grandes protagonistas negativas do dia. Com o barril de Brent recuando 3,81% e fechando em US$ 73,87 em Londres, as ordinárias da estatal caíram 2,68% e as preferenciais, 2,64%. A desvalorização no setor de energia, que representa cerca de 12% da carteira do Ibovespa, teve um impacto significativo sobre o índice.
Quem acompanha o setor de petróleo há algum tempo sabe que essa volatilidade, muitas vezes ligada a tensões geopolíticas e mudanças na dinâmica de oferta, pode gerar grandes impactos em empresas produtoras. Lembro de 2022, quando um conflito súbito abalou o mercado de forma semelhante, derrubando empresas do setor em questão de dias. O padrão se repete, mas os gatilhos mudam.
A Vale (VALE3) também contribuiu para o tom negativo, com uma queda de 2,08%, mesmo com o minério de ferro apresentando sinais de alta. Essa discrepância, segundo analistas ouvidos pelo The Brazil News, reflete a preocupação do mercado com questões de governança interna e a disputa pela presidência do conselho da mineradora, que geram incertezas sobre os rumos da companhia.
No cenário doméstico, a expectativa paira sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) que o Banco Central divulgará nesta quinta-feira (25). Investidores buscam sinais sobre a trajetória futura da inflação e os próximos passos da política monetária. A prévia da inflação, o IPCA-15 de junho, também será divulgado amanhã, e as expectativas apontam para números ainda pressionados.
Enquanto a bolsa sofria, o dólar à vista fez o caminho contrário, fechando em alta de 0,28% a R$ 5,2020. A moeda americana ganhou força ante o real impulsionada pela terceira queda consecutiva do petróleo Brent e por um cenário internacional que aponta para um Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mais agressivo na condução de sua política monetária. O índice DXY, que compara o dólar a seis moedas globais, atingiu seu maior nível desde maio de 2025, operando em alta de 0,19%.
Na minha leitura, o dólar voltando para a casa dos R$ 5,20 é um sinal claro de que a percepção de risco global ainda predomina. A incerteza em relação às decisões do Fed e o fantasma de uma inflação persistente nos EUA tendem a manter a moeda forte no curto prazo. O cenário geopolítico no Oriente Médio, com a normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, parece ter aliviado momentaneamente a pressão sobre o petróleo, mas a cautela global se mantém.
Entre as maiores quedas do Ibovespa, além de Petrobras e Vale, destacaram-se CSN (CSNA3) com -3,98%, Azzas (AZZA3) com -3,93% e MBRF (MBRF3) com -3,93%. No campo positivo, que destoou do tom geral, o destaque foi Cemig (CEAB3), com uma alta expressiva de 6,42%, seguida por Hypera (HYPE3) com 1,77% e Cyrela (CYRE3) com +1,67%. Em nossa cobertura editorial, já havíamos sinalizado a importância do setor de energia para a performance do índice em cenários de volatilidade, como visto em matérias anteriores sobre o setor de óleo e gás.
A performance das ações de Petrobras, que hoje registraram uma queda de 2,08% em nosso sistema interno, apesar de o fechamento oficial ter sido diferente, evidencia a sensibilidade do papel às variações do preço do petróleo. A companhia, que tem um P/L de 4.7 e um dividend yield de 7.60%, segue sendo um termômetro importante para o desempenho de commodities na B3.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.