O pregão desta terça-feira (02/06/2026) foi marcado por uma forte movimentação no setor de tecnologia, com destaque negativo para as ações do Nubank. Os papéis do 'roxinho' despencaram mais de 8% após o fechamento, refletindo preocupações com a estratégia do banco e uma troca de comando que surpreendeu o mercado.

Nubank sob pressão: Relatório do Citi e custo de risco no radar

O balanço do dia para o Nubank é mais um capítulo de volatilidade para os investidores. Um relatório recente do Citi, que, apesar de manter a recomendação de compra, reduziu o preço-alvo das ações de US$ 22 para US$ 18, jogou um balde de água fria no otimismo. Com as ações negociadas a cerca de US$ 12,99 no fechamento anterior, esse novo alvo ainda sugere um potencial de valorização, mas a mensagem de cautela foi clara.

Segundo analistas do Citi, a estratégia atual do Nubank, que prioriza o crescimento da carteira de crédito e a expansão da receita líquida de juros, pode estar pressionando as margens do banco. A alta correlação, de aproximadamente 90%, entre o aumento dos empréstimos e o custo de risco da instituição, levanta um sinal de alerta. Em um cenário macroeconômico adverso, essa abordagem pode manter o custo de risco elevado ao longo de 2026, um ponto que certamente não agradou os investidores mais conservadores.

A corrida da IA impulsiona gigantes, mas deixa outros para trás

Enquanto o Nubank sofria com as más notícias, o setor de tecnologia também viu um lado bem mais otimista. As ações da Dell Technologies, por exemplo, continuaram sua escalada em Nova York, aproximando-se de um recorde histórico. A empresa acumula uma valorização impressionante de cerca de 98% nos últimos oito dias de negociação, impulsionada pela febre da inteligência artificial (IA). A demanda por servidores e hardware especializado para IA tem sido um verdadeiro motor para a companhia.

Não muito distante, a Marvell Technology também deu um salto expressivo de 25% após uma declaração ousada do CEO da Nvidia, Jensen Huang, que apostou que a empresa será a próxima a atingir a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Apesar da capitalização atual da Marvell girar em torno de US$ 192 bilhões, a fala de Huang — somada a um histórico de alta de mais de 158% no ano até então — incendiou o interesse dos investidores. A aposta em chips customizados para IA parece ser o novo ouro digital, atraindo investimentos estratégicos, como os US$ 2 bilhões que a Nvidia realizou na Marvell em março.

O que isso significa para o seu bolso?

Para o investidor brasileiro, o dia de hoje serve como um lembrete da dinâmica, por vezes implacável, do mercado financeiro, especialmente no setor de tecnologia. Enquanto as empresas ligadas à revolução da IA continuam a deslumbrar com valorizações impressionantes, casos como o do Nubank mostram que nem tudo é um mar de rosas. A notícia sobre o banco 'roxinho' reforça a importância de se atentar não apenas ao crescimento, mas também à sustentabilidade desse crescimento e à gestão de riscos.

Essa dicotomia entre os gigantes da IA e os desafios enfrentados por outras empresas de tecnologia pode ser um bom ponto de reflexão para quem busca diversificar a carteira. É fundamental acompanhar os balanços trimestrais e as projeções dos analistas, entendendo que cada decisão de uma empresa — seja na estratégia de crédito ou na aposta em novas tecnologias — pode ter um impacto direto e significativo no valor das suas ações. A olho nu, o mercado de tecnologia parece um campo fértil para quem souber garimpar, mas a cautela e a análise aprofundada continuam sendo as melhores ferramentas para navegar por essas águas.