O pregão desta sexta-feira (17) traz um cenário misto para os investidores. No mercado doméstico, a Plano & Plano (PLPL3) surge como um ponto de destaque com seus resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) apresentando um crescimento notável em vendas. No entanto, em Wall Street, o setor de tecnologia dita o ritmo, e não de forma positiva, pressionando os principais índices da bolsa americana.

Plano & Plano mostra fôlego no varejo imobiliário

A construtora Plano & Plano (PLPL3) anunciou um aumento de 9% em suas vendas líquidas no segundo trimestre de 2026, alcançando R$ 916 milhões. O volume de unidades comercializadas também apresentou alta de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, com 3.351 unidades vendidas. O preço médio de venda das unidades subiu 1,9%, chegando a R$ 273,5 mil. Em nossa cobertura editorial, costumamos ver esse tipo de avanço em vendas líquidas como um indicador importante da saúde do setor imobiliário, especialmente em um cenário onde o acesso ao crédito ainda é um fator a ser observado de perto pelo consumidor.

Apesar do desempenho positivo, a companhia ressaltou que a concentração de 84,7% dos lançamentos em junho impactou o ritmo de vendas, devido ao curto intervalo entre a oferta e o fim do trimestre. O indicador de Vendas Sobre Oferta (VSO) dos últimos 12 meses fechou em 51,8%, uma pequena alta de 0,7 ponto percentual. Já o Valor Geral de Vendas (VGV) do estoque totalizou R$ 3,828 bilhões, uma leve queda de 1,7%. A empresa encerrou o trimestre com um consumo de caixa operacional de R$ 87,3 milhões.

Wall Street sob pressão da tecnologia e temores de "bolha"

Do outro lado do Atlântico, os índices de Wall Street operam em baixa. O setor de semicondutores tem sido o principal vilão, após a Taiwan Semiconductor (TSMC) anunciar um aumento significativo em seus investimentos de capital para o ano todo. A empresa elevou sua previsão para entre US$ 60 bilhões e US$ 64 bilhões, ante os US$ 52 bilhões a US$ 56 bilhões projetados anteriormente. Essa notícia reacendeu os temores de uma possível "bolha" em torno da inteligência artificial (IA), apesar dos resultados sólidos da própria TSMC no trimestre.

As ações da TSMC recuaram mais de 2%, contagiando outras gigantes de tecnologia como Nvidia, Amazon, Meta e Alphabet, que também fecharam em queda. O Nasdaq, que tem forte concentração de empresas de tecnologia, liderou as perdas, caindo mais de 1,47%. O Dow Jones e o S&P 500 também registraram quedas, de 0,20% e 0,51%, respectivamente. Para quem acompanha o mercado americano há algum tempo, essa oscilação em torno de temas como IA não é novidade. Lembram da euforia em torno das "dot-coms" no início dos anos 2000? A busca por novas tecnologias disruptivas e os temores de excesso de valorização que vivenciamos agora lembram aquele cenário. O padrão de busca por novas tecnologias disruptivas e os temores de excesso de valorização se repetem.

Outras empresas e o cenário macro

No cenário corporativo internacional, a Sandvik apresentou decepção em seus pedidos do segundo trimestre, resultando em uma queda de 8% em suas ações. Em contrapartida, a Orion viu suas ações subirem 8% após um avanço de 25% nas vendas líquidas do trimestre. Já a Alleima viu seus papéis dispararem 7% com uma receita que superou as expectativas.

De volta ao Brasil, a Ultrapar (UGPA3) segue brilhando. Na minha leitura, a companhia assumiu a liderança das altas do Ibovespa em 2026, acumulando ganhos de 52,73%. Com a divulgação de seus resultados do segundo trimestre prevista para o dia 12 de agosto, analistas estão otimistas com a expansão do caixa e a possibilidade de dividendos robustos, com projeções de EBITDA ajustado de R$ 3,354 bilhões para o trimestre, um salto de 62% na comparação anual.

Outra movimentação interessante no varejo brasileiro é a entrada do Assaí (ASAI3) no setor farmacêutico com a inauguração da primeira unidade da Assaí Farma. A estratégia de diversificação foi vista de forma positiva por instituições como BTG Pactual, Banco Safra e XP Investimentos, que veem a iniciativa como um fortalecimento do modelo de negócios da companhia. Essa expansão para áreas adjacentes, buscando sinergias e fidelização do cliente, é uma tática que já vimos outras redes de varejo tentarem com sucesso, como uma forma de gerar valor adicional sem necessariamente depender apenas da venda de produtos básicos.

Enquanto o mercado doméstico digere os dados corporativos, a tensão no Oriente Médio entre EUA e Irã continua no radar, adicionando uma camada de incerteza geopolítica ao cenário global. É nesse contexto de resultados mistos e volatilidade internacional que os investidores seguem navegando, buscando oportunidades e gerenciando riscos neste pregão.