Bom dia! Lucas Mendonça aqui, direto do The Brazil News. É terça-feira, dia 23 de junho de 2026, e o mercado brasileiro se prepara para mais um dia de negociações. Enquanto a B3 ainda não abriu suas portas, o clima é de expectativa e atenção redobrada.

A agenda de hoje reserva o grande foco na divulgação da ata do Copom. Após o comunicado recente ter gerado certo ruído, os investidores aguardam ansiosamente por mais detalhes que possam clarear os próximos passos da política monetária. Essa clareza é crucial para direcionar as expectativas, especialmente em relação às taxas de juros futuras.

O que rolou overnight?

Lá fora, os mercados asiáticos já fecharam com misto de humor. A Europa também dá seus primeiros passos, com atenções voltadas para os dados de PMIs industrial e de serviços que serão divulgados hoje na zona do euro e no Reino Unido. Nos Estados Unidos, Wall Street chega com um cenário onde a cautela parece predominar, digerindo as últimas notícias e preparando o terreno para a abertura.

O alívio no cenário geopolítico, com progressos nas negociações entre EUA e Irã, contribuiu para um certo otimismo no fechamento de ontem, impulsionando o Ibovespa acima dos 170 mil pontos e derrubando o dólar para R$ 5,14. Essa distensão no Oriente Médio, que inclusive ajudou a pressionar os preços do petróleo para baixo na sessão de ontem, pode continuar a influenciar o apetite por risco global hoje.

A ata do Copom: um divisor de águas?

A ata do Copom é, sem dúvida, o principal evento doméstico. Quem acompanha o Banco Central há algum tempo sabe que a redação dos comunicados e atas tem se tornado cada vez mais sutil em seus sinais. O mercado interpretou o comunicado mais recente com uma certa confusão, e essa ata terá o papel de, esperamos, trazer mais clareza. Na minha leitura, o Banco Central pode estar buscando transmitir uma mensagem de prudência, mas sem fechar totalmente as portas para futuras decisões.

É interessante notar um padrão: em momentos de incerteza como este, a busca por clareza nas comunicações oficiais se intensifica. Lembro de um período parecido em 2022, quando sinais ambíguos do Copom levaram à volatilidade. A diferença agora é o contexto de inflação projetada em alta no Boletim Focus e a expectativa de que a Selic de 2026 possa ir para 14%.

Futuros e Dólar: o que esperar?

Os juros futuros fecharam ontem em queda, um reflexo tanto do alívio geopolítico quanto da expectativa pela ata. Contudo, a ponta longa da curva, a partir de 2030, cedeu em ritmo mais forte, indicando uma melhora no apetite ao risco no exterior. O dólar, que também sentiu essa melhora e o efeito dos leilões do BC, pode continuar em um patamar mais calmo nesta manhã, mas a ata do Copom será fundamental para determinar o rumo no curto prazo.

O dólar se manteve estável em R$ 5,14 ontem, apesar de pressões altistas no exterior, como a alta do DXY. Esse comportamento mostra que, mesmo com o cenário internacional, os leilões do Banco Central e o fluxo estrangeiro para a bolsa conseguiram conter a valorização da moeda americana. A apuração do The Brazil News mostra que o BC vendeu cerca de US$ 1 bilhão em moeda em leilões ontem, sinalizando intervenção ativa.

O que muda no seu bolso?

Para o investidor pessoa física, o principal impacto dessa movimentação se refletirá na performance da renda variável e, claro, nas taxas oferecidas pela renda fixa. Se a ata do Copom sinalizar um aperto monetário mais prolongado ou uma trajetória de juros mais alta do que o esperado, isso pode pesar sobre as ações, enquanto juros mais altos podem atrair novamente o capital para a renda fixa. Acompanhar esses movimentos é a chave para ajustar a carteira.

Acompanharemos de perto a abertura do mercado e os primeiros movimentos. Fiquem ligados para mais atualizações!