Bom dia, investidor! Sexta-feira, 26 de junho de 2026, e o mercado brasileiro ainda está em compasso de espera. A B3 abre em cerca de uma hora, mas o pré-mercado já nos dá alguns indícios do que pode pintar nos negócios de hoje. Enquanto nossos pregões não começam, o cenário internacional e os dados que já saíram por aqui nos dão um norte.
Ontem, a bolsa brasileira, o nosso querido Ibovespa, deu um respiro e fechou em alta de 0,87%, impulsionado por um IPCA-15 de junho que veio um pouco mais amigável do que o esperado. A prévia da inflação desacelerou para 0,41%, um alívio bem-vindo diante da persistente pressão nos preços. Essa notícia ajudou a diminuir um pouco a tensão no mercado de juros, com as taxas dos DIs de curto prazo cedendo. Contudo, as taxas de longo prazo mostraram uma inclinação na curva, o que, para quem acompanha o Banco Central há tempo, costuma ser um sinal de que o mercado já está precificando cenários futuros, talvez com um viés mais cauteloso.
No cenário internacional, o petróleo sentiu o baque. Os preços do barril Brent e do WTI recuaram mais de 2% nesta sexta, impactados pela retomada dos embarques pelo Estreito de Ormuz, o que diminuiu as preocupações com a oferta. Essa queda nas commodities, vale lembrar, pode ter um impacto direto em algumas ações da nossa bolsa, especialmente as ligadas ao setor. Quem acompanha o setor de petróleo sabe que esses movimentos de preços, muitas vezes, se traduzem em volatilidade para as empresas do ramo.
Na minha leitura, o IPCA-15 de ontem foi o principal destaque doméstico e deve continuar influenciando o sentimento hoje. Ele trouxe um fôlego de otimismo, mas a questão principal segue sendo o acumulado em 12 meses, que ainda está acima do teto da meta. Isso é um lembrete constante para o Banco Central de que o trabalho ainda não acabou, e a pressão inflacionária, embora mais controlada momentaneamente, ainda é um fator a ser vigiado de perto. Não é a primeira vez que vemos um dado pontual de inflação dar uma trégua para depois voltarmos a discutir pressões mais fortes; em 2022, vimos um cenário parecido onde um respiro inicial não se sustentou por muito tempo.
Olhando para os mercados asiáticos que já fecharam, vimos um desempenho misto. A Europa também opera com cautela, enquanto os futuros de Wall Street indicam uma abertura mais estável para a bolsa americana. A performance lá fora, claro, sempre serve de termômetro para a nossa B3. A forma como o mercado americano vai se comportar a partir das 10h30 (horário de Brasília) será crucial para ditar o ritmo do nosso pregão.
Para hoje, o que eu espero é um mercado digerindo esses dados de ontem e buscando novos catalisadores. A atenção se volta para os indicadores de confiança do consumidor nos Estados Unidos, que saem mais tarde. Esses números podem dar um sinal sobre a força da maior economia do mundo e, por consequência, impactar o apetite por risco globalmente. O dólar, que ontem recuou para R$ 5,17 com os dados de inflação mais fracos, pode voltar a se mover dependendo do que vier de lá e de qualquer novidade vinda do cenário político-econômico brasileiro.
A conjuntura geral ainda pede cautela, com pontos positivos e negativos a serem considerados. Quem acompanha o mercado financeiro sabe que a volatilidade é parte do jogo, e os próximos dias prometem ser de muita atenção aos indicadores de inflação e, claro, ao desenrolar das tensões geopolíticas e seus reflexos nos preços das commodities.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.