Bom dia, investidor! Segunda-feira, 6 de julho de 2026, e o mercado brasileiro ainda não deu início às suas negociações, mas a expectativa já paira no ar. Enquanto o sol nasce por aqui, lá na Ásia os mercados já encerraram seus trabalhos, e o cenário, como tantas vezes em ciclos de volatilidade tecnológica, foi de misto para negativo, com destaque para as ações de tecnologia sofrendo pressões. O Nikkei japonês fechou praticamente estável, mas o gigante SoftBank e a Tokyo Electron amargaram perdas. Na Coreia do Sul, o Kospi também cedeu, mesmo com a Samsung mostrando força. Esses movimentos no exterior já servem de termômetro para o que podemos encontrar nas próximas horas.

O que esperar do Brasil: Focus e mais

O grande protagonista do nosso pré-mercado brasileiro, sem dúvida, é o Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central. É como se fosse o boletim meteorológico do próprio BC, prevendo as tendências econômicas. Na última edição, vimos uma certa estabilidade, com projeções de inflação em 5,33% e a taxa básica de juros em 14% para este ano. Agora, o mercado vai querer saber se essa calmaria aparente se mantém ou se surgiram novos ventos que podem mexer com as projeções. Quem acompanha o Copom há um bom tempo sabe que a redação do comunicado, mesmo que sutil, normalmente sinaliza a intenção do Banco Central, e o Focus é um dos primeiros indicadores dessa intenção.

Além do Focus, a agenda econômica do dia traz mais novidades. Na Europa, teremos o PPI (Índice de Preços ao Produtor) e dados de vendas no varejo, indicadores importantes que mostram a saúde do consumo e a pressão inflacionária no continente. Lá de fora, ainda teremos o PMI de serviços e composto dos Estados Unidos, e a balança comercial brasileira. São peças de um quebra-cabeça que os investidores tentam montar para entender o panorama geral.

Mercado Internacional: Futuros nos EUA e o cenário global

Enquanto a B3 se prepara para abrir, Wall Street já acena com otimismo nos seus futuros. O S&P 500, Dow Jones e, especialmente, o Nasdaq, operam em alta. Esse cenário positivo nos Estados Unidos pode impulsionar a nossa bolsa assim que ela abrir. Os ADRs (recibos de ações brasileiras negociados nos EUA) da Petrobras e da Vale também mostraram ganhos no pré-mercado americano, o que sugere um apetite inicial por commodities brasileiras. O Ibovespa em dólar (EWZ) também opera em alta, um bom sinal para investidores estrangeiros.

Não é a primeira vez que vemos essa dança dos mercados internacionais. Em 2020, em meio a incertezas globais, o fluxo estrangeiro era um termômetro ainda mais sensível, e qualquer sinal de melhora lá fora era suficiente para injetar ânimo nas nossas ações. A volatilidade no setor de tecnologia asiático, vista hoje, me lembra um pouco os movimentos de 2021, quando as empresas de crescimento foram afetadas pela mudança de perspectiva em relação à inflação e juros. A diferença agora é que o foco parece mais direcionado às valuations e aos retornos reais dos investimentos.

A visão de Lucas Mendonça: Carteiras recomendadas e a busca por estabilidade

Olhando para o mercado de ações e as carteiras recomendadas, percebo uma tendência clara: a busca por empresas com fundamentos sólidos e que mostrem resiliência em cenários de incerteza. A XP, por exemplo, tirou a Energisa de sua carteira de dividendos, justificando pela maior exposição da elétrica ao cenário macro e à sensibilidade da taxa de juros. Em vez disso, apostou em Caixa Seguridade, que, segundo a corretora, tem mostrado forte atividade comercial e sinistralidade controlada. Essa movimentação demonstra que as corretoras estão sendo seletivas, priorizando empresas que, na leitura delas, podem entregar resultados consistentes mesmo com as turbulências.

Essa estratégia de priorizar empresas com menor volatilidade e maior capacidade de gerar caixa, mesmo em meio a um cenário de juros ainda elevados, é algo que venho observando desde 2022. A necessidade de diversificação, que sempre ressalto, ganha ainda mais contornos na escolha de ativos. Por isso, a substituição de ações preferenciais por ordinárias em algumas carteiras, como a da Axia, também faz sentido. Quem acompanha o setor elétrico sabe que a liquidez e a exposição a investidores estrangeiros são fatores cruciais, e a troca pode sinalizar uma aposta na capacidade da empresa de atrair esses fluxos, algo que pode ser um diferencial.

O Itaú BBA, por sua vez, renovou boa parte de sua carteira para julho, mostrando que a adaptação é constante. A saída de Aura Minerals, por exemplo, ligada ao desempenho do ouro, e a entrada de Embraer, Nubank e Sabesp, indica uma virada para setores mais resilientes ou com potencial de recuperação cíclica. Na minha leitura, o Itaú BBA quer se posicionar em empresas que se beneficiam de um cenário macro mais estável, ou que simplesmente têm catalisadores próprios mais fortes do que os riscos externos. É uma estratégia que faz sentido quando o Ibovespa, em dólar, mostra essa força no pré-mercado.

Em resumo, o dia promete ser de atenção aos dados, mas também de um olhar mais apurado sobre quais empresas estão conseguindo navegar em águas turbulentas com mais sucesso. A busca por dividendos e por valor nas carteiras recomendadas reflete essa cautela, mas sem perder a oportunidade de ganho. A decisão final, como sempre, está nas mãos do investidor, ponderando riscos e potenciais.