Bom dia, investidores (e curiosos de plantão)! Aqui é Lucas Mendonça, direto da redação do The Brazil News, para te dar um panorama do que esperar neste pré-mercado de quinta-feira, 23 de abril de 2026. São 9h17, e a B3 está a uma horinha de começar o pregão. E se o mercado fosse uma pessoa, diria que acordou com uma certa ressaca hoje.

Depois de uma semana de 'folga' para o feriado de Tiradentes, o Ibovespa resolveu abrir a curta semana com o pé esquerdo. Ontem, o principal índice da nossa bolsa recuou 1,65%, fechando na casa dos 192.888 pontos. Essa queda representa uma correção importante, vindo logo depois de o Ibovespa ter renovado sua máxima histórica na semana passada, em quase 200 mil pontos. É como subir uma ladeira íngreme e, de repente, precisar parar para respirar.

A Ressaca Pós-Feriado na B3: O Que Aconteceu Ontem?

Enquanto as bolsas americanas, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq, brindavam a novos recordes — o S&P 500 e a Nasdaq, inclusive, renovaram suas máximas —, a B3 parecia ter ficado na portaria da festa. O movimento por aqui foi de “realização de lucros” e uma reprecificação de risco, que atingiu em cheio o setor bancário. Ações de grandes bancos sofreram quedas significativas, puxando o índice para baixo. É o peso dos 'grandões' fazendo diferença na pontuação.

A situação foi um pouco intensificada pelo ajuste aos ADRs (recibos de ações brasileiras negociados em Nova York), que caíram na terça-feira (21), um dia em que a B3 estava fechada. Ou seja, nosso mercado teve que 'correr atrás' desse atraso na quarta.

Mas nem tudo foi vermelho. A Petrobras (PETR3 e PETR4), como um farol em meio à tempestade, conseguiu navegar contra a corrente. Suas ações subiram, impulsionadas pela escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, com ganhos superiores a 3% tanto em Londres quanto em Nova York. É aquele momento em que a gasolina tá cara, mas sua carteira de investimentos agradece se você tem um pezinho na petroleira.

O dólar, por sua vez, foi o 'tio do churrasco' que ficou tranquilo no canto, fechando a R$ 4,97 em estabilidade. Sinal de que, pelo menos na moeda americana, o susto foi menor.

O Caldeirão Global: O Que Move os Mercados Hoje?

O cenário internacional é o que dita boa parte do ritmo do nosso pré-mercado. E hoje, o 'caldeirão' está borbulhando com alguns ingredientes importantes:

Petróleo Fervendo Novamente

Começando pelo protagonista de ontem: o petróleo. Os futuros do Brent e do West Texas Intermediate (WTI) amanheceram em alta robusta, ampliando os ganhos. O Brent já negocia acima de US$ 102, e o WTI acima de US$ 93. O motivo? O impasse nas negociações entre EUA e Irã, além das restrições no Estreito de Ormuz. Essa valorização do petróleo é uma faca de dois gumes: bom para a Petrobras, mas pode ser um sinal de tensões geopolíticas que costumam deixar os investidores um pouco mais cautelosos.

Ásia e Europa no Radar

Na Ásia, os mercados fecharam sem um rumo muito definido, com o Japão divulgando seus dados de CPI (Índice de Preços ao Consumidor). Já na Europa, a manhã é de atenção total aos PMIs (Purchasing Managers' Index) compostos, de serviços e indústria. Esses indicadores são como um termômetro da atividade econômica. Se vierem fortes, podem animar os mercados; se decepcionarem, a cautela tende a aumentar. Os futuros dos índices europeus sinalizam um começo de dia misto a negativo, refletindo essa espera.

Wall Street: Esperando os Próximos Passos

Nos EUA, além dos PMIs, também teremos a divulgação dos pedidos semanais de seguro-desemprego. Um número baixo pode indicar um mercado de trabalho aquecido, o que, por um lado, é bom para a economia, mas, por outro, pode manter a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) para segurar os juros, o que nem sempre agrada o mercado acionário. Os futuros de Wall Street operam com ligeira baixa, indicando um dia de ajustes após os recordes de ontem.

A Bússola da B3: O Que os Gráficos Dizem e O Que Esperar Hoje

Voltando para o nosso quintal, a queda de ontem deixou o Ibovespa em uma posição um tanto quanto indefinida no curto prazo. Pelos gráficos, ele está negociando entre as médias móveis de 9 e 21 períodos no diário, o que significa que tanto pode continuar a correção quanto pode tentar uma recuperação. É como estar numa encruzilhada, sem saber para que lado o caminho vai seguir.

Segundo a análise técnica, para que o Ibovespa retome o fôlego e volte a mirar os 200 mil pontos (ou além, até 205.430 pontos), ele precisaria superar a resistência em 196.725 pontos, e depois romper a máxima histórica de 199.354 pontos. É uma escadaria e tanto!

Por outro lado, se o mercado resolver intensificar a correção e perder a faixa de suporte entre 192.687 e 192.206 pontos, podemos ver uma aceleração das vendas, com alvos na região de 189.250 e, em um cenário mais pessimista, 185.210 pontos. Fique de olho nessas marcações, especialmente nas primeiras horas da B3. A InfoMoney detalhou bem esses níveis de suporte e resistência.

Internamente, teremos a reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional), que sempre traz discussões importantes sobre juros e política econômica. Embora não seja um evento que cause turbulência imediata como uma decisão do Copom, o que se discute ali pode dar pistas sobre os rumos econômicos do país.

Sua Carteira Hoje: Cautela e Olho Vivo

Para quem investe, o dia deve ser de atenção redobrada. O mercado deve abrir com os futuros do Ibovespa e os dados do exterior dando o tom. A volatilidade é quase uma certeza. Se você tem posições em papéis ligados a commodities, como a Petrobras, o petróleo em alta pode ser um bom suporte. Já para os bancos e outras ações que sofreram ontem, a abertura pode ser um teste de força.

O recado de Lucas Mendonça é: calibre suas expectativas. Não é hora de pânico, mas sim de estratégia. Acompanhe os movimentos dos futuros, observe como o mercado europeu reage aos PMIs e como os futuros americanos se comportam. Diversificar a carteira é sempre uma boa pedida, especialmente em momentos de indefinição. Lembra daquela história de não colocar todos os ovos na mesma cesta? Pois é, ela segue valendo.

Prepare-se para mais um dia agitado. A gente se fala!