O pregão desta quarta-feira (13) foi marcado pela divulgação dos resultados trimestrais de diversas companhias, jogando luz sobre o desempenho das empresas no início de 2026. No centro das atenções, a Dasa (DASA3) apresentou um quadro promissor, enquanto a JBS (JBSS32) sentiu os efeitos de uma operação específica nos EUA.

Dasa se destaca com melhora operacional

A Dasa, gigante do setor de saúde, mostrou sinais claros de recuperação e um avanço em suas margens, o que não passou despercebido pelo mercado. As ações da companhia fecharam em alta de 3,50%, a R$ 3,25. O Bradesco BBI, por exemplo, classificou os resultados do primeiro trimestre como positivos, citando o crescimento robusto de receita e a expansão relevante das margens.

O que impulsionou esse otimismo foi, principalmente, a evolução das margens da Rede Américas e o avanço da agenda de eficiência da companhia. Apesar de algumas preocupações pontuais com o nível de alavancagem, a melhora do momentum operacional e a visibilidade dos resultados ao longo do ano parecem ter prevalecido. Essa recuperação operacional é um sinal animador para a Dasa, indicando que os planos de reestruturação estão surtindo efeito, e já atrai recomendações de compra de casas de análise.

JBS sente o impacto da carne bovina nos EUA

Do outro lado da moeda, a JBS enfrentou um dia de baixa. Tanto os recibos de ações negociados no Brasil (BDR: JBSS32) quanto as ações negociadas em Nova York fecharam em queda. O motivo principal? Os resultados considerados fracos no primeiro trimestre de 2026, com destaque negativo para a operação de carne bovina nos Estados Unidos.

O Goldman Sachs apontou que o Ebitda ajustado da JBS ficou abaixo do consenso da Bloomberg e criticou a combinação de margens operacionais menores na maioria das unidades. A operação americana de carne bovina foi apontada como o principal ponto negativo. Mesmo com a demanda global seguindo forte e a JBS superando a Tyson em crescimento de receita, a rentabilidade em terras americanas pesou no balanço. Ainda assim, a empresa apresentou pontos positivos, como a queima de caixa menor que o esperado e a contribuição positiva de aquisições recentes.

Braskem oscila com resultados mistos

A Braskem (BRKM5), por sua vez, teve um dia de alta na B3, com os papéis fechando com ganhos de 2,86%, a R$ 12,21. Essa alta vem em sequência de um salto expressivo na sessão anterior. Os resultados do 1T26, divulgados após o fechamento do mercado, apresentaram um quadro misto, segundo análise do JPMorgan.

No Brasil, a taxa de utilização subiu, impulsionada pela demanda por polietileno e PVC. Contudo, houve queda relevante nas exportações e desempenho inferior ano a ano, com pressão de importações. Nos Estados Unidos e Europa, a operação mostrou dados acima do esperado, com melhora na taxa de utilização e crescimento nas vendas. Já o México continua sendo um desafio, com queda significativa na utilização e nas vendas devido à menor disponibilidade de etano.

Cury: Bom resultado, mas aversão ao risco freia os ganhos

A Cury (CURY3) também divulgou um balanço do primeiro trimestre de 2026 que superou as expectativas do mercado, com lucro líquido de R$ 303 milhões, um avanço de 41,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 32,6%, alcançando R$ 1,6 bilhão. A XP Investimentos destacou o forte crescimento de receita, a resiliência da margem bruta e o controle de despesas.

Apesar dos bons números e da distribuição de R$ 160 milhões em dividendos, as ações da Cury fecharam com uma alta modesta de 0,53%. O que freou um movimento mais expressivo foi a aversão ao risco do mercado, impulsionada pela alta dos juros futuros. O cenário eleitoral e notícias sobre ligações entre figuras políticas e o mercado financeiro também contribuíram para um ambiente de maior cautela.

Itaú Unibanco e a atenção dos investidores globais

Em um movimento que sinaliza o interesse do mercado internacional, o Itaú Unibanco (ITUB3) foi incluído em um importante índice de mercados emergentes. Essa inclusão tende a atrair mais capital estrangeiro para as ações do banco, uma vez que fundos que replicam este índice precisarão alocar recursos em ITUB3. Embora não tenha um impacto imediato no preço das ações no dia, é um fator relevante para a percepção de risco e liquidez do ativo no longo prazo.

Com o mercado fechado, a análise dos resultados trimestrais e as movimentações setoriais direcionam o olhar para o futuro. A Dasa parece trilhar um caminho de recuperação sólido, enquanto JBS e Braskem navegam em águas mais turbulentas. A cautela geral do mercado, refletida na alta dos juros futuros, sugere que os investidores seguirão atentos aos desdobramentos econômicos e políticos, buscando oportunidades em meio a um cenário de volatilidade.