Encerramos mais uma semana, e com o mercado brasileiro de ações fechado neste domingo (28/06/2026), é hora de uma análise mais aprofundada sobre os movimentos que nos trouxeram até aqui e o que podemos esperar nas próximas sessões. A última semana trouxe um fôlego importante para o Ibovespa, que, impulsionado por fatores domésticos e globais, conseguiu uma recuperação notável.

Um Respiro no Mercado Acionário

Na última semana, o Ibovespa apresentou um saldo positivo de quase 3%, fechando a sexta-feira (26/06) em alta e se aproximando de zerar as perdas do mês de junho. Essa guinada foi motivada, em grande parte, por dados de inflação que vieram mais benignos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A divulgação do IPCA-15 de junho, que desacelerou para 0,41%, abaixo das expectativas, deu um alívio considerável aos investidores. Essa leitura mais amena sobre a inflação é um sinal positivo, pois pode influenciar as decisões futuras sobre a taxa de juros, a Selic.

Quem acompanha o Copom há tempo sabe que essa redação nos comunicados do Banco Central, quando foca em desaceleração inflacionária, normalmente sinaliza cautela na política monetária, mas também abre espaço para otimismo em relação à manutenção ou até mesmo possíveis cortes futuros da Selic, algo que o mercado sempre aguarda com expectativa. O cenário internacional, com a realização de lucros em ações de tecnologia no exterior, também contribuiu para uma rotação de investimentos, favorecendo mercados como o nosso.

A Performance das Empresas e as Carteiras Recomendadas

Analisando o desempenho das empresas, vemos um cenário misto, mas com destaques importantes. A Terra Investimentos manteve sua carteira recomendada inalterada para a semana de 26 de junho a 03 de julho, composta por Sabesp (SBSP3), MBRF (MBRF3), Suzano (SUZB3), Hypera (HYPE3) e Iguatemi (IGTI11). Essa seleção acumulou uma alta de 4,49% na última semana, superando o desempenho de 2,21% do Ibovespa até quinta-feira (25/06). Em 12 meses, a carteira soma 54,88%, contra 26,68% do índice. É interessante notar que, mesmo em um período de recuperação, empresas de setores variados como saneamento, finanças (MBRF), papel e celulose (Suzano), farmacêutico (Hypera) e varejo/shopping centers (Iguatemi) podem coexistir em uma estratégia de curto prazo bem-sucedida.

Por outro lado, a Braskem (BRKM5) continua sendo um ponto de atenção. A empresa liderou as perdas do Ibovespa pela segunda semana consecutiva, com uma derretida de 16% em sua cotação. Na nossa análise interna aqui no The Brazil News, os dados de Braskem S.A. mostram uma variação de -8.36% apenas no dia 26 de junho, acumulando uma queda expressiva de -46.49% no mês e -19.35% no ano. Esse desempenho contrasta fortemente com a recuperação geral do índice, evidenciando desafios específicos da companhia que precisam ser monitorados de perto por quem a tem em carteira.

O Papel dos Bancos e o Desemprego

Os bancos, como o Itaú Unibanco (ITUB4), também tiveram um papel importante nessa recuperação. Impulsionado pelo avanço dessas instituições, o Ibovespa conseguiu destoar de um certo pessimismo no exterior. O Itaú Unibanco, por exemplo, fechou a sexta-feira (26/06) em alta de 1,29%, mostrando uma performance sólida no mês (+6,44%) e no ano (+9,99%). Na minha leitura, a força dos grandes bancos é um termômetro da saúde do sistema financeiro e da economia como um todo. Um P/L de 10,3 e um Dividend Yield de 8,06% (conforme nossos dados) tornam o setor atrativo, especialmente em cenários de taxas de juros que, mesmo que em patamar elevado, indicam um caminho de normalização.

Outro dado relevante que surgiu na semana foi a queda na taxa de desemprego no Brasil, que recuou para 5,6% no trimestre encerrado em maio. Este é o menor patamar desde 2012, segundo o IBGE. Esse número, em linha com as projeções, é um sinal de melhora na atividade econômica e um ponto positivo para o consumo e para o humor do investidor. Esse tipo de dado, quando se repete por alguns trimestres, cria um padrão que me faz acreditar na resiliência do mercado de trabalho, algo fundamental para a sustentabilidade do crescimento econômico.

Perspectivas para a Semana Seguinte e o Olhar para o Futuro

Para a próxima semana, o foco continuará sendo a inflação e os próximos passos da política econômica. A curva de juros, que mostrou alívio, será um indicador importante a ser acompanhado. As discussões sobre a Selic e a trajetória da inflação no Brasil e no mundo (com atenção especial aos movimentos do Fed nos EUA e do BCE na Europa) ditarão o ritmo do mercado.

Na minha leitura, a recuperação vista nesta semana foi um bom sinal, mas a volatilidade deve continuar. Para o investidor, é fundamental manter a disciplina e o foco na diversificação. A renda fixa, com taxas de juros ainda atrativas, continua sendo um porto seguro, mas o mercado acionário, com empresas sólidas e bons dividendos, pode oferecer oportunidades para quem tem visão de longo prazo. Em momentos de recuperação como este, é tentador buscar as ações que mais subiram, mas lembrar da Braskem e de outros casos de empresas que sofrem apesar do otimismo geral do mercado é um lembrete valioso: a análise individual de cada ativo é sempre crucial. Não é a primeira vez que vemos o Ibovespa se recuperar de forma tão expressiva após períodos de incerteza; em 2022, tivemos uma dinâmica similar após os primeiros choques inflacionários globais, e a capacidade de adaptação das empresas foi um diferencial.

O que muda no bolso do investidor com essa recuperação? A princípio, um saldo mais positivo nas carteiras, um alívio na ansiedade e um reforço na confiança para quem já está exposto ao mercado acionário. Para quem pensa em iniciar ou aumentar sua exposição, a semana serviu como um indicativo de que o mercado pode estar precificando um cenário mais favorável, mas sempre com a ressalva de que riscos ainda persistem. O mercado brasileiro, como uma maré, sobe e desce, mas quem sabe ler as correntes, consegue navegar com mais segurança.