O mercado financeiro brasileiro está cada vez mais sob a batuta de quem viu o fantasma da hiperinflação assombrar os bolsos. São os sobreviventes de um período econômico turbulento que hoje comandam uma fortuna de R$ 409 bilhões em investimentos na B3 e no Tesouro Direto. Essa chamada 'economia prateada', que representa uma fatia minoritária em número de CPFs, detém um poder financeiro que financia o Estado e as maiores empresas do país.
Quem acompanha o mercado há algum tempo, como eu, lembra de histórias como a do economista D'Orto Neto, hoje com 67 anos. Nos anos 80, a sua "corrida" era para estocar alimentos básicos, um reflexo da luta diária contra a inflação descontrolada. Mais de três décadas depois do Plano Real, essa mesma energia é canalizada para a gestão de patrimônio e investimentos. É um contraste que demonstra a resiliência e a adaptação do brasileiro.
Os números oficiais da B3 confirmam essa tendência. Em abril, o volume sob custódia de investidores com 60 anos ou mais atingiu um recorde histórico de R$ 322 bilhões. Detalhe: isso está pulverizado em quase 588 mil contas. Na minha leitura, esse dado é um sinal claro de que uma parcela significativa desses investidores mais experientes está mais ativa e confiante no mercado brasileiro.
Essa movimentação bilionária, embora possa parecer concentrada em poucos, tem um impacto direto em outros segmentos. Recentemente, uma simulação feita pelo Suno Notícias mostrou que R$ 20 mil aplicados em fundos imobiliários como o BTLG11, por exemplo, renderam R$ 24.180,78 em 12 meses, superando a poupança em quase 14%. O fundo, que possui mais de meio milhão de cotistas e se destaca pela oferta de renda passiva com proventos isentos de Imposto de Renda, é um exemplo de como a busca por rendimento se estende por diferentes faixas etárias e perfis.
Por outro lado, nem tudo são flores no universo financeiro. Meses após a liquidação do Will Bank pelo Banco Central, mais de 5 milhões de credores ainda não resgataram seus valores. Segundo apuração do Valor Investe, cerca de 80% desses credores poderiam receber até mil reais do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Desses, apenas 1,2 milhão solicitou o pagamento, o que representa quase 73% do valor devido nessa categoria. A lentidão no resgate, especialmente para valores menores, pode indicar um certo desinteresse ou desconhecimento por parte de alguns credores, algo que costuma acontecer em processos de liquidação.
A situação do Will Bank, um caso de liquidação de banco e de fintech que impactou milhões de clientes, me lembra de outros episódios que cobrimos. Lembro-me bem de casos de falências de instituições financeiras menores que, embora tivessem um alcance menor, geraram ansiedade similar entre os poupadores. O que chama a atenção agora é a quantidade de credores que ainda não buscaram seus direitos. É um lembrete de que, mesmo com a tecnologia avançada, a comunicação e o acesso à informação ainda são gargalos para muitos.
Para quem investe, o cenário atual é um convite à reflexão sobre a diversidade etária e de perfis no mercado. A capacidade de geração de riqueza dos mais velhos, moldada pela experiência de lidar com instabilidades econômicas, oferece uma perspectiva única. A 'economia prateada' não é apenas um contingente de poupadores, mas um motor financeiro que impulsiona a bolsa e a economia real. É um fenômeno que, na minha visão, veio para ficar e continuará a moldar as estratégicas de mercado nos próximos anos.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.