As bolsas asiáticas deram um show de otimismo nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, com nada menos que dois recordes históricos sendo quebrados: um em Tóquio e outro em Seul. O grande impulsionador dessa alta foi o setor de tecnologia, que disparou na esteira de um balanço positivo divulgado pela americana Micron Technology, fabricante de chips de memória. Esse resultado foi um alívio, aliviando as preocupações sobre os altos gastos com infraestrutura para inteligência artificial.

O índice sul-coreano Kospi liderou os ganhos, saltando 5,42% e alcançando 8.930,30 pontos, um novo patamar inédito. Gigantes de semicondutores como Samsung Electronics e SK Hynix não ficaram atrás, com altas expressivas de 5,3% e 13%, respectivamente. Em Tóquio, o Nikkei avançou 4,61%, chegando aos 72.366,34 pontos, também com forte influência das ações de tecnologia, como Advantest (+15%) e Tokyo Electron (+7,8%). Nem a China continental escapou totalmente, com o Shanghai Composite e o Shenzhen Composite registrando ganhos modestos.

O otimismo com a tecnologia se espalhou da Ásia para Wall Street. Os principais índices americanos abriram em alta, impulsionados pela mesma energia vinda da Ásia. A performance da Micron reacendeu a chama do otimismo em relação à inteligência artificial, um tema que tem sido o queridinho do mercado ultimamente. Na minha leitura, o mercado americano está ansioso por catalisadores de crescimento, e a IA tem se mostrado uma fonte significativa de potencial de crescimento nesse sentido.

No entanto, nem tudo são flores. O JPMorgan, que previu um cenário otimista para a bolsa americana e elevou sua projeção para o S&P 500 para 7.800 pontos, reconhece a volatilidade recente no setor de tecnologia. Lembra quando o S&P 500 teve duas sessões consecutivas de queda na terça-feira, com um recuo de 1,4%, que foi um momento de forte queda para o setor de chips? Pois é, o mercado se recupera rápido quando os fundamentos parecem sólidos. Essa resiliência, na minha visão, é um sinal de maturidade do mercado em focar nos ciclos de longo prazo, como o da IA.

Enquanto a tecnologia impulsiona as ações, o ouro e o dólar mostram movimentos mais moderados. O ouro, que chegou a flertar com os US$ 4 mil por onça, agora testa esse nível com pressão. O cessar-fogo e as negociações em curso para acabar com a guerra no Irã reduziram a procura pelo metal como um ativo de refúgio. É interessante notar como a busca por proteção, que impulsionou o ouro e a prata em mais de 60% e 135% em 2025, respectivamente, perde força quando a tensão diminui. Como comentávamos em nossa cobertura editorial no início do ano, o ouro tende a se comportar como um seguro: quanto maior o risco, maior a demanda. Com a diminuição do risco, o capital volta a migrar para a renda variável, como estamos vendo agora.

O Federal Reserve (Fed) também entrou na conta, com o mercado precificando uma alta de juros em setembro. Essa perspectiva de aperto monetário nos EUA, combinada com o BCE e o Banco do Japão já tendo subido as taxas neste mês, adiciona outra camada de complexidade ao cenário. Para quem acompanha o mercado financeiro, essa combinação de fatores — otimismo com IA, trégua no Oriente Médio e políticas monetárias divergentes — é um lembrete constante de que as decisões de investimento exigem um olhar atento e multifacetado.

Em meio a todo esse cenário global, a Bolsa B3, aqui no Brasil, opera em um pregão dinâmico. Temos empresas como a Americanas S.A. (AMER3) sofrendo variações tímidas, -0.23% no dia, mas com uma performance acumulada no mês e no ano ainda negativa. Isso me faz pensar em como os movimentos globais e as notícias específicas de cada empresa se entrelaçam. O que acontece lá fora, claro, reverbera aqui, mas as particularidades de cada negócio mantêm seu próprio ritmo. Quem acompanha o mercado brasileiro há algum tempo sabe que essa dinâmica de influência externa e fatores internos é uma constante, um intrincado equilíbrio entre o global e o local.