O mês de julho chegou e, com ele, as atualizações nas carteiras recomendadas de dividendos por grandes casas de análise. A principal novidade para quem acompanha esse nicho é a saída da Vale (VALE (VALE3)3) de dois portfólios importantes: o da Ágora Investimentos e o da Genial Investimentos. Em seu lugar, entram ações de setores que buscam maior previsibilidade em meio a um cenário de juros ainda elevado e incertezas fiscais.
A Ágora Investimentos optou por reforçar o setor de utilities, trazendo a Copel (CPLE3) para sua seleção. Segundo os analistas da casa, a decisão de retirar a Vale se deu apesar de uma visão positiva para a mineradora, mas o peso de 20% no portfólio era considerado excessivo em um momento de preocupações com o ritmo do ciclo das commodities. A expectativa é que a Copel (CPLE3) contribua para aumentar a previsibilidade dos resultados do portfólio. Completam a lista da Ágora para julho as ações da Allos (ALOS3), Caixa Seguridade (CXSE3), ISA Energia (ISAE4) e Itaúsa (ITSA4), com uma expectativa de retorno médio via dividendos de 8,7% para 2026.
Já a Genial Investimentos também promoveu duas mudanças em sua carteira de dividendos, reforçando seu posicionamento mais defensivo. Além da saída da Vale, a PRIO (PRIO (PRIO3)3) também foi retirada. Em seu lugar, entram a Caixa Seguridade (CXSE3) e o Itaú Unibanco (ITUB4). A corretora alinha essa alteração à sua visão de que o ambiente macroeconômico ainda pede cautela, apesar de valuations descontados no mercado brasileiro. A prioridade para julho é um portfólio que gere renda recorrente, reduzindo a exposição a ativos mais voláteis e dependentes de commodities.
É interessante observar essa movimentação. Em 2023, vimos um movimento parecido, onde a busca por estabilidade em carteiras de dividendos levou muitas casas a reduzir a exposição a empresas mais ligadas ao ciclo de commodities, justamente por receio de volatilidade. O padrão se repete agora, sinalizando que, mesmo com a Vale negociando no momento em alta de 0,35% no dia a R$ 78,24, as corretoras preferem apostar em setores com fluxo de caixa mais previsível.
Essa mudança tem um impacto direto no bolso do investidor que segue essas carteiras. Ao trocar ações com maior potencial de alta, mas também maior risco, por empresas de utilities ou financeiras com histórico de bons dividendos, o objetivo é garantir uma renda passiva mais consistente. Para quem busca estabilidade e previsibilidade em seus investimentos, essa movimentação é um bom sinal, focando em empresas que tendem a distribuir proventos de forma mais regular, mesmo em cenários de maior incerteza.
Para além das grandes carteiras, outros pagamentos de dividendos chamam a atenção nesta sexta-feira. A Josapar (JOPA3) paga R$ 0,3194 por ação, um provento isento de Imposto de Renda para pessoa física, referente à data de corte de 04 de maio. Essa é uma ótima notícia para os acionistas que mantiveram os papéis, pois significa um ganho líquido imediato.
No universo dos Fiagros, o AAZQ11 tem se destacado. Uma simulação com R$ 5.000 investidos neste fundo de papel do agronegócio ao longo de 12 meses teria gerado um retorno de cerca de R$ 6.327,18, sendo R$ 928,53 provenientes de proventos isentos de IR. Comparativamente, os mesmos R$ 5.000 na poupança teriam chegado a apenas R$ 5.300 no mesmo período, mostrando a força do AAZQ11 em gerar ganhos superiores.
Na minha leitura, a saída da Vale dessas carteiras não significa um prognóstico negativo para a mineradora a longo prazo, mas sim uma estratégia tática das corretoras para o mês de julho. O mercado de commodities é cíclico por natureza, e quem acompanha o setor sabe que esses movimentos de entrada e saída de papéis são comuns, buscando otimizar o retorno e a segurança do portfólio no curto e médio prazo.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.